A dona de casa Regina Aparecida Ramos de Assis, 23 anos, diz estar sendo corroída pelo arrependimento de ter espancado até a morte o filho Jaison Ramos de Assis, de dois anos. ‘‘Acho que bater numa criança não tem perdão porque ela não tem como se defender’’, disse Regina, sentada em um banco da delegacia de Rio Negro, a cerca de 100 km de Curitiba. Presa desde anteontem, quando Jaison morreu, Regina afirmou que bateu no filho com uma bastão de madeira, para que ele ‘‘fosse bem educado e obedecesse às pessoas’’. ‘‘Eu me descontrolei. Não era para acontecer o que aconteceu.’’
Filha de um criador de cavalos, Regina contou que dava ao filho educação semelhante à que recebeu do pai, de quem apanhou até os 10 anos com relho, um chicote de couro torcido usado com cavalos. ‘‘Espero pagar pelo que fiz sem pensar e que isso sirva de exemplo para mim mesma e para os outros’’.
O casal morava em Lajeado dos Vieiras, localidade que pertence ao município de Rio Negro e fica a dois quilômetros de Rio Negrinho (SC), onde a criança foi enterrada ontem. O enterro não foi acompanhado pelo padrastro e pela mãe, que nem sequer haviam sido avisados. Regina caiu no choro ao saber pela Folha que o filho já tinha sido enterrado. ‘‘Por que eu bati tanto nele?’’, se perguntava. ‘‘Eu queria ter ido no enterro dele.’’
A exemplo do que fez ao ser presa, ontem, durante o depoimento, Regina disse que o companheiro Eládio Bayer, 33 anos, não tem envolvimento com as agressões e que ele jamais teria batido no menino, embora já o tivesse visto apanhar. ‘‘Eu sempre batia (em Jaison) quando ele (Bayer) não estava em casa, porque ele não gostava que eu surasse o menino’’, disse ela.
Preocupado com o emprego, Bayer quer sair logo da cadeia para cuidar da filha do casal, que tem nove meses. ‘‘Eu não tenho nada com isso. Eu gostava do menino e não tenho coragem de bater em ninguém’’, afirmou. O delegado de Rio Negro, Mário Sérgio ‘Bradock’ Zachesky, discorda de Bayer e mantém a prisão. ‘‘Ele vai pagar nem que seja pela omissão de ter permitido que esse crime acontecesse’’, disse Bradock. Conforme o delegado, a criança apanhava há muito tempo. Por causa dos ferimentos, o IML de Curitiba não conseguiu precisar a causa da morte.

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