A desempregada Neide Maria de Abreu, 40 anos, afirmou ontem que, passou dois dias à espera que médicos do Hospital Universitário (HU) de Londrina dessem atendimento ao filho Cristian Lopes, 7 anos. Segundo ela, Cristian sofre de um tumor no cérebro que o impede de andar, falar e comer por conta própria. Na tarde de anteontem, a mãe teria percebido que o filho não conseguia engolir os alimentos e levou-o ao HU mas a criança só teria recebido atendimento médico ontem, depois da denúncia feita à Folha.
Segundo Neide, ela foi ao hospital com o menino na terça à tarde e teria ficado esperando até às 20 horas, quando a informaram que não seria mais atendida. ''Me disseram que poderia passar a noite, mas que seria melhor ir para casa e voltar no dia seguinte, a partir das 10h30. Hoje (ontem) cheguei cedo, mas continuei esperando a tarde inteira para ser atendida'', reclamou.
A desempregada contou que o menino já sofreu duas operações para a retirada do tumor em hospitais de Porto Alegre (RS), onde a família morava antes de se mudar para Londrina. A última cirurgia aconteceu no dia 14 de janeiro.
Segundo a mãe, Cristian depende de uma sonda para se alimentar e já fez uma traqueotomia para poder respirar melhor. ''Os médicos já desenganaram meu filho diversas vezes'', afirmou. Ela, o menino e um outro filho de 21 anos, também desempregado, residem na Vila Casoni (Área Central) e sobrevivem com uma cesta básica doada pelo Grupo de Apoio a Pessoas com Câncer (GAPC). ''Não posso trabalhar porque vivo em função do meu filho'', explicou.
De acordo com a mãe, há uma semana o filho não consegue comer, mas a situação piorou nos últimos três dias. ''Ele está pálido e não consegue se manter sentado na cadeira de rodas. Se afoga para comer a papinha e não consegue engolir nem água'', lamentou a mãe, indignada com a falta de atenção do hospital. ''Não sei o que faço, vou para onde com ele? Se eles não podem me atender, que me dêem um encaminhamento, pois não vou deixar meu filho morrer, nem que tenha que quebrar tudo aqui dentro'', exaltou-se.
Procurada pela reportagem, a administração do hospital se manifestou por meio da assessoria de imprensa, alegando que o estado do menino não acarretava risco de morte. Segundo a assessora da instituição, um médico residente do pronto-socorro infantil teria examinado Cristian no início da tarde, encaminhando-o para o setor de cirurgia infantil, onde seriam realizados novos exames, que poderia apontar se o problema seria a obstrução do esôfago ou sequelas do próprio tumor, que compromete as atividades cerebrais.
No final da tarde de ontem, Cristian aguardava o atendimento de especialistas em um berço da enfermaria pedriátrica. ''Ele está com um pouco de febre, mas já está tomando soro pelo menos. Agora vamos esperar pelos médicos da cirurgia'', disse Neide, mais aliviada.

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