Mãe denuncia crime em creche improvisada
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quarta-feira, 01 de outubro de 2008
Diego Ribeiro<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Uma mulher de 21 anos, mãe de três crianças de 11 meses, 2 e 5 anos, registrou uma denúncia no Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítima de Crime (Nucria). Suas três filhas podem ter sido vítimas de abuso sexual no bairro Sítio Cercado, em Curitiba, em uma casa onde uma mulher toma conta de várias crianças, as chamadas "mães crecheiras". O caso foi registrado na semana passada e a suspeita, apontada pela mãe por envolvimento, prestou depoimento, ontem. O conteúdo não foi divulgado.
Segundo a mãe das crianças, ela descobriu o caso no dia 20 de setembro e tentou registrar a queixa no 8º Distrito Policial, mas foi orientada a seguir para o Nucria.
"Comecei a trabalhar e arrumei uma mulher para cuidar das minhas filhas porque não tinha vaga em creche", explicou a mãe. Ela, então, deixou suas meninas na casa de uma "mãe crecheira". A moça disse que suas filhas contaram que a senhora que cuidava delas as amarrava, enquanto seu marido cometeria o abuso. Na casa da "mãe crecheira" haveria, ainda, mais quatro meninas sendo cuidadas. "Quando fui falar com ela (a mãe crecheira), ela disse que o marido era doente mental. No IML (Instituto Médico Legal), o médico disse que elas foram mesmo molestadas", afirmou. O laudo ficará pronto em até 30 dias.
O marido da senhora que cuida de crianças no bairro Sítio Cercado não é doente mental. Ele ficou com sequelas de um derrame e um infarto e tem dificuldades para falar. A "mãe crecheira" acredita que a acusação é uma maldade. "O avô delas que pediu para eu cuidar. Eu cuido de várias crianças. Agora estou cuidando de duas", explicou a senhora.
De acordo com a mulher, as crianças foram bem cuidadas em todos os dias que permaneceram em sua casa, mas ela mesma desconfiou de algo quando a menina de 2 anos ficou muito tímida após tomar banho e ser ajudada para se vestir. "Elas começaram a ir muito ao banheiro. No sábado, dia 20, o avô delas veio aqui em casa para me acusar", contou a "crecheira". O casal teria registrado uma denúncia em que acusa a mãe das crianças de calúnia no 10º Distrito Policial. Ela suspeita que o abuso pode ter sido cometido pelo padrasto das crianças e ou pelo avô.
O superintendente do Nucria, Luiz Augusto de Souza, informou que ainda não foi comprovado que aconteceu o abuso, mas a polícia já conversou com a mãe das supostas vítimas e com as crianças. "As crianças foram atendidas e já estamos investigando o caso, mas é preciso ter cuidado. Já foram ouvidas várias pessoas e o setor de psicologia já falou com as supostas vítimas, mas deve ter, ainda, mais sessões com as crianças porque elas são muito pequenas", ressaltou o policial, reforçando que, ainda, não há nenhuma prova concreta. No entanto, de acordo com Souza, o setor de psicologia do Nucria já atestou que houve o abuso sexual.


