A dona de casa Dair Helena Silva Gouvea, 43 anos, acaba de realizar um sonho: agradecer publicamente a equipe da Pastoral da Criança por ter salvo o filho João Batista Gouvea, 6 anos. Sem condições de presentear parte da equipe que atua na região leste de Londrina, dona Dair aproveitou a tarde de ontem, quando houve a pesagem das crianças no Centro Comunitário do Jardim Interlagos, para mostrar o quanto é agradecida ao trabalho. ‘‘Eu tive a idéia de chamar a Folha para que todo mundo saiba o quanto essas mulheres batalham e como é importante o que elas fazem’’, relata.
Há pouco mais de seis anos, quando ainda estava grávida de João Batista, seu filho mais novo, Dair começou a ser acompanhada pela equipe da pastoral. O trabalho foi propício para que a criança nascesse dentro do peso normal, mas não demorou muito para o bebê ficar subnutrido, chegando a ser desenganado pelos médicos. ‘‘Eu sempre passei dificuldades, não nego. Vivo com R$ 130,00 e tenho outros quatro filhos vivos’’, disse Dair. O marido - ‘‘que faz de tudo um pouco’’ - está desempregado há vários meses.
Até hoje, segundo ela, na sua casa tem o que comer de manhã e muitas vezes não tem nada à tarde. ‘‘Se não fosse a multimistura dada pela pastoral teria perdido meu filho’’, admitiu. Ela disse que perdeu um filho há cerca de três anos após uma convulsão.
Entre a equipe da pastoral da região leste, Dair tem um carinho especial por Lúcia Francisca Menezes, que acompanha seu filho há um ano. ‘‘Ela é amorosa e atenta’’, comentou. Lúcia é diarista, mas duas vezes por mês, os dias da pesagem das crianças, não agenda nenhum compromisso.
Vizinha de Dair, ela não descuida da saúde das 37 crianças que estão sob sua responsabilidade. ‘‘Eu sempre admirei o trabalho dessas mulheres. Foi por isso que resolvi participar também’’, disse Lúcia.
Armando Porto Alegre, do Conselho de Saúde da Região Leste, atesta que a pobreza naquela região é grande. Segundo ele, não há dados concretos, mas a mortalidade infantil na área vem diminuindo bastante com a ação da pastoral. ‘‘É admirável o trabalho dessa equipe, que faz isso por caridade. O melhor remédio para essas crianças é mesmo a comida’’.
Que o diga Irene Salim, também uma das coordenadoras do trabalho na região leste. Irene se lembra do caso de uma garota que ela acompanhou, há mais de três anos. A menina, filha de alcoólatra, tinha 4 anos e meio e pesava apenas 8 quilos. ‘‘Ela não andava, era uma criança apática. Com algumas semanas usando a multimistura ela começou a reagir e hoje é uma criança normal. Esses resultados são gratificantes’’.Dorico da SilvaMuito obrigada!A mãe de João Batista Gouvea, dona Dair e Lúcia Francisca Menezes: realização do sonho de agradecer publicamente trabalho feito pela equipe da Pastoral da CriançaBenê Bianchi

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