A mãe da secretária Jacqueline Carneiro Lobo, a dona-de-casa Silmara Carneiro Lobo, prestou depoimento ontem à tarde na polícia, e afirmou que há mais de um mês a filha vinha sendo ameaçada de morte pela dona-de-casa Maria Suely Costa Moura. Jacqueline foi morta, na tarde da última sexta-feira, com um tiro na cabeça disparado por Suely, no interior de um escritório de advocacia onde a secretária trabalhava, no Edifício Mônaco, centro da Cidade. A causa seria o namoro que a vítima mantinha com o ex-marido de Maria Suely, o médico e professor de cursinho João Bento Moura Neto.
A mãe disse que pedia para a filha tomar cuidado e diversas vezes tentou registrar as ameaças na polícia, mas foi impedida por Jacqueline. ‘‘Ela me pedia calma e suplicava para eu não ir na polícia, porque o Bento estava tomando providências para acalmar a ex-esposa.’’
Silmara foi ouvida pelo delegado que preside o inquérito, Antonio do Carmo. Ele está sendo acusado pelo advogado da defesa, Antonio Carlos Vianna, de ‘‘conduzir os depoimentos com emoção’’, prejudicando sua cliente.
Vianna encaminhou ontem pela manhã um ofício ao juiz da 1ª Vara Criminal, Jurandyr Reis Junior. No documento, ele denuncia Antonio do Carmo e pede o acompanhamento de um representante do Ministério Público durante os depoimentos das testemunhas.
Para o delegado, Antonio Vianna só procurou a Justiça porque foi impedido de criar confusão e amedrontar a testemunha Nevair Freitas Serra Junior. A testemunha trabalha em frente a sala onde ocorreu o crime e prestou depoimento na quarta-feira. Junior contou que Maria Suely, ao abrir a porta do escritório onde estava Jacqueline, já portava a arma (pistola calibre 6.35) na mão direita e de surpresa acionou o gatilho duas ou três vezes em direção à vítima. Como os tiros falharam, a acusada teria começado a dar coronhadas na secretária.
O depoimento de Junior contradiz a tese da defesa. Vianna afirma que o crime foi cometido sem premeditação e motivado por forte emoção da acusada. Até ontem à tarde, o pedido do advogado Vianna não havia tido resposta do juiz. O depoimento da mãe de Jacqueline não teve acompanhamento da promotoria.
Silmara, com a voz embargada e mantendo um pequeno crucifixo entre as mãos, foi incisiva nas suas declarações ao delegado. Ela contou que em sua casa atendeu dois telefonemas de Maria Suely. Em um deles, a ex-mulher do médico João Bento teria dito que não amava o ex-esposo. Em outro, Silmara diz que ouviu a dona-de-casa prometer matar a secretária e ‘‘fazer picadinho’’ dela.
Silmara conta que chegou a falar com João Bento, pedindo providências para a segurança da filha. Ele teria prometido falar com a ex-esposa.
Silmara afirma que Jacqueline contou que foi até ameaçada de atropelmento por Maria Suely. A mãe também declarou que, em outra oportunidade, a dona-de-casa teria ameaçado Jacqueline de morte no consultório de Bento. O médico ainda não prestou depoimento à polícia.

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