Mãe-de-santo vê preconceito
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de fevereiro de 1999
Lucilia Okamura 
O candomblé é uma religião afro-brasileira que cultua os orixás (elementos ou forças da natureza). Oxum, Iansã, Ogum estão entre os mais conhecidos. São energias evocadas durante o culto, ressalta Vilma dos Santos de Oliveira, mãe-de-santo de Londrina mais conhecida por Ya Mukumby.
Apesar de bastante difundido, o candomblé é ainda visto com muito preconceito, sendo chamado de seita e associado erroneamente às forças do mal. No candomblé não acreditamos que exista o demônio, e não acreditamos em pecado.
Segundo Ya Mukumby, os seguidores do candomblé acreditam nas regras que precisam ser seguidas para estar em harmonia com o orixá. Não proibimos, mas a pessoa é avisada do que pode e não pode fazer, ressalta. Assim, por exemplo, existe o dia em que não pode fazer sexo ou comer carne.
A mãe-de-santo acredita que o candomblé é associado ao demônio por causa do Exu, orixá que faz a comunicação entre os mundos material e espiritual. Lembrando que o candomblé foi trazido ao Brasil pelos escravos africanos, ela explica que foi na época da colonização que aconteceu a associação do Exu ao diabo. Mas não fazemos culto ao demônio, ressalta.
Na opinião da mãe-de-santo, a possessão pode ser causada pelos eguns, espíritos de pessoas que já morreram, ficam vagando e são captados pelas pessoas. São espíritos que, de uma forma ou outra, podem atrapalhar o trabalho, perturbar, cansar, relata. Segundo ela, os casos são raros.
Para livrar a pessoa dos eguns é feito um trabalho que inclui a oferenda de comidas, banho e harmonização com o orixá regente - de acordo com a religião, cada pessoa tem o seu orixá.


