Mãe de rapaz desaparecido acha que ele 'não volta mais'
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quinta-feira, 17 de agosto de 2000
Paulo Pegoraro De Cascavel 
A dona de casa Dalvina Walenga, 38 anos, está convencida de que seu filho Rafael Walenga, 22 anos, não volta mais. O rapaz está desaparecido há cinco meses em Cascavel, onde era contumaz acusador de envolvimento de policiais civis em vários tipos de crimes. Ele chegou a ser ouvido por membros da comissão especial da Assembléia Legislativa para o crime organizado. Pouco antes de sumir, insistia em acusar publicamente, dizendo nada ter a perder e não temer represálias.
Dalvina Walenga, que mora em uma casa humilde na zona norte da cidade, tem medo de revelar o que sabe sobre possíveis envolvimentos no sumiço do filho. Quem sumiu com ele foi alguém que estava sendo acusado, acredita. A mulher diz ter recebido uma informação de fonte que prefere não identificar segundo a qual Walenga teria sido levado para pescar peixe com a boca no fundo do Rio Iguaçu, o que significaria ter sido morto e jogado no rio.
Dalvina lembra como se fosse hoje o dia (13 de março) do sumiço do filho. Pouco antes do almoço, ele havia saído de casa dizendo que iria comprar um refrigerante e voltaria logo, o que não aconteceu. No bolso, não tinha nenhum dinheiro além do que havia pego da mãe para o refrigerante. Por isso, ela descartou a hipótese de que o filho tenha ido viajar (como às vezes fazia, repentinamente). Se foi, é a tal da viagem sem volta, diz.
Walenga nunca telefonou para a mãe ou a tia que reside em Maringá, como era hábito quando viajava. É duro para uma mãe ter que se conformar com isso, mas já não tenho esperança, diz Dalvina. Ela ainda espera da Polícia uma resposta, seja qual for.
A Folha tentou ouvir o delegado-chefe da 15ª SDP de Cascavel, Haroldo Davison ele não pôde atender ao telefone nem deu retorno ao recado. Davison determinou investigações sobre o sumiço de Walenga depois de ter dito que ninguém em Cascavel iria lamentar seu desaparecimento. Isso foi quando ele era menor. Se tivessem alguma coisa contra ele depois, deveriam tê-lo prendido, reage a mãe.
Pouco antes de desaparecer, havia dito que alguns deles o obrigavam a roubar para dividir com eles o produto de roubo. Também circulou uma carta, com suposta assinatura sua, envolvendo no uso e tráfico de drogas várias pessoas conhecidas na cidade. Imediatamente, Walenga procurou a maioria dos citados para negar ser o autor da carta. A mãe suspeita que a carta tenha sido forjada para facilitar o desaparecimento de Rafael.


