A dona de casa Dalvina Walenga, 38 anos, está convencida de que seu filho Rafael Walenga, 22 anos, ‘‘não volta mais’’. O rapaz está desaparecido há cinco meses em Cascavel, onde era contumaz acusador de envolvimento de policiais civis em vários tipos de crimes. Ele chegou a ser ouvido por membros da comissão especial da Assembléia Legislativa para o crime organizado. Pouco antes de sumir, insistia em acusar publicamente, dizendo ‘‘nada ter a perder’’ e não temer represálias.
Dalvina Walenga, que mora em uma casa humilde na zona norte da cidade, tem medo de revelar o que sabe sobre possíveis envolvimentos no sumiço do filho. ‘‘Quem sumiu com ele foi alguém que estava sendo acusado’’, acredita. A mulher diz ter recebido uma informação – de fonte que prefere não identificar – segundo a qual Walenga ‘‘teria sido levado para pescar peixe com a boca no fundo do Rio Iguaçu’’, o que significaria ter sido morto e jogado no rio.
Dalvina lembra ‘‘como se fosse hoje’’ o dia (13 de março) do sumiço do filho. Pouco antes do almoço, ele havia saído de casa dizendo que iria comprar um refrigerante e voltaria logo, o que não aconteceu. No bolso, não tinha nenhum dinheiro além do que havia pego da mãe para o refrigerante. Por isso, ela descartou a hipótese de que o filho tenha ido viajar (como às vezes fazia, repentinamente). ‘‘Se foi, é a tal da viagem sem volta’’, diz.
Walenga nunca telefonou para a mãe ou a tia que reside em Maringá, como era hábito quando viajava. ‘‘É duro para uma mãe ter que se conformar com isso, mas já não tenho esperança’’, diz Dalvina. Ela ainda espera da Polícia ‘‘uma resposta, seja qual for’’.
A Folha tentou ouvir o delegado-chefe da 15ª SDP de Cascavel, Haroldo Davison – ele não pôde atender ao telefone nem deu retorno ao recado. Davison determinou investigações sobre o sumiço de Walenga depois de ter dito que ‘‘ninguém em Cascavel iria lamentar seu desaparecimento’’. ‘‘Isso foi quando ele era menor. Se tivessem alguma coisa contra ele depois, deveriam tê-lo prendido’’, reage a mãe.
Pouco antes de desaparecer, havia dito que alguns deles o obrigavam a roubar para dividir com eles o produto de roubo. Também circulou uma carta, com suposta assinatura sua, envolvendo no uso e tráfico de drogas várias pessoas conhecidas na cidade. Imediatamente, Walenga procurou a maioria dos citados para negar ser o autor da carta. A mãe suspeita que a carta tenha sido forjada para facilitar o desaparecimento de Rafael.

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