Mãe de Jamys quer prisão de policiais
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 08 de maio de 2007
Adriana Ito e Vanessa Navarro 
A notícia de que os quatro policiais militares responsabilizados pela morte de Jamys Smith da Silva, 20 anos, foram expulsos da corporação deu um pouco de alívio à mãe do jovem, Sueli Aparecida Teodoro. Mas só um pouco. ''É um pouco confortante, mas não muito. Eles têm que ser presos, não só afastados. Além disso, no dia haviam 22 policiais ao todo, e os outros também têm que ser responsabilizados por não terem impedido a ação desses quatro'', reivindicou.
''Pelo menos eles não vão matar mais ninguém fardados'', aliviou-se Neusa Elizabete Romanholi, tia de Jamys que presenciou toda a ação policial que levou ao espancamento e morte do sobrinho, há quase dois anos. Para ela, porém, só o afastamento também não é suficiente. ''Se eu roubar um pacote de bolacha no mercado, posso pegar um ano de prisão. Eles roubaram a vida do Jamys. Quanto tempo de prisão será que isso vale?'', questionou.
Conforme a FOLHA noticiou ontem, os policiais Jhanivaldo Zanin, Juliano Ferraz Dias, Marco Aurélio da Silva Barbosa e Sérgio Marcelo Souza Pinto foram desligados da Polícia Militar (PM) na semana passada, ato divulgado somente na última segunda-feira. Segundo o relações públicas do 5º Batalhão da PM, tenente Ricardo Eguedis, a decisão foi tomada pelo Conselho de Disciplina, um colegiado formado por três oficiais.
''A assessoria jurídica da PM analisou o caso e encontrou subsídios para a expulsão. Eles já estão oficialmente desligados da corporação, mas estão dentro do período para recorrer da decisão'', explicou. Depois que os acusados se declaram cientes da decisão, o prazo para recurso é de 10 dias. O procedimento pode ser tomado junto ao Comando Geral da PM, em Curitiba.
Eguedis ressaltou que as evidências levantadas no inquérito da PM apontaram que os abusos teriam sido cometidos por apenas quatro policiais, e não pelos 22 envolvidos na ação realizada na casa de Jamys. Acusados de homicídio doloso, os PMs expulsos ainda vão a júri popular, sem data para ocorrer.
A falta que Jamys faz para Sueli não é apenas física e emocional, mas até financeira. Sobrevivendo com apenas cerca de R $200 que consegue trabalhando como cabeleireira, Sueli ainda aguarda uma resposta em relação ao seu pedido de pensão pela morte do filho, que a ajudava a sustentar a casa. ''Já foi até feito o exame de DNA, porque o filho dele não era registrado. A idéia seria eu receber o dinheiro e cuidar do garoto. Mas até agora não saiu nada'', revelou.
Para marcar os dois anos da morte de Jamys, ocorrida em 15 de maio de 2005, os moradores do Jardim Santa Fé vão realizar um protesto no sábado, a partir das 16h30, começando com uma passeata que vai passar pela rua onde o jovem foi espancado e terminar na igreja de Sant'Ana, com uma apresentação teatral do grupo de jovens da igreja.


