Lucinéia Parra
De Maringá
Desde segunda-feira, a dona de casa Maria Ivonete de Jesus, 48 anos, iniciou uma maratona em órgãos públicos de Maringá em busca de ajuda. Ela mora com a filha excepcional Roseli de Jesus, 23 anos, no Conjunto Santa Felicidade. Elas estão sendo ameaçadas de despejo por causa de uma dívida de R$ 2,6 mil na prefeitura. A Monreal, empresa contratada pela prefeitura para receber os impostos municipais, entrou com uma ação de execução contra Maria Ivonete. Ela recebe R$ 136,00 por mês de pensão do ex-marido e diz que não tem como pagar a dívida.
Maria de Jesus diz que não pode trabalhar fora porque tem que se dedicar à filha que, apesar da idade, exige os mesmos cuidados de uma criança. ‘‘Ela não faz nada sozinha. Preciso dar comida, banho, levá-la até o banheiro, enfim, ficar o dia todo cuidando dela’’. Segundo Maria de Jesus, até o ano passado Roseli ficava meio período na Associação Norte Paranaense de Reabilitação (ANPR), mas a entidade deixou de atendê-la por causa da idade.
As duas moram numa casa doada há 10 anos pela prefeitura. ‘‘A casa, na verdade, era um barracão. Com a ajuda dos vizinhos, fizemos um mutirão e construímos as paredes internas’’, lembra. Mesmo que a Monreal parcele a dívida, Maria de Jesus diz que não tem condições de pagar. A pensão do ex-marido é usada para pagar conta de água, luz e alimentação. ‘‘Preciso terminar de fazer o banheiro que nem privada tem, mas não sobra dinheiro. Como é que eu vou pagar esta dívida?’’
Segunda-feira, Maria de Jesus e Roseli estiveram na Câmara de Vereadores. ‘‘Tive que levá-la para que os vereadores pudessem ver que eu não posso abandoná-la para trabalhar e por isso não tenho como pagar esta dívida’’, desabafa. As duas ficaram até às 18 horas em peregrinação pelos órgãos públicos. ‘‘Ela (Roseli) ficou sem comer o dia todo porque eu não tinha dinheiro para comprar nada para nós’’.
O gerente da Monreal, Fernando Fernandes, disse ontem que não existe nenhuma ordem de execução contra Maria Ivonete de Jesus. ‘‘Só se o imóvel estiver em outro nome, porque no nome de Maria Ivonete de Jesus não consta nada’’.
Fernandes alegou desconhecer o caso e afirmou que se ela não tem mesmo condições de pagar, tem que procurar a prefeitura. ‘‘Posso adiantar que as pessoas têm que saber que, quando uma família tem um imóvel, existe um tributo que tem que ser quitado’’, disse Fernandes. Na ação de execução que foi apresentada aos vereadores de Maringá, consta o nome de Maria de Jesus.

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