Dorico da SilvaRevoltaMarley e o filho Wagner: ‘Até agora, a única coisa que o hospital ofereceu foi a tala de gesso’ A dona-de-casa Marley Aparecida Maurício, mãe do excepcional Wagner Antonângelo, ameaça entrar na Justiça nos próximos dias contra a Clínica Psiquiátrica de Londrina (CPL), se não conseguir um acordo amigável que possibilite melhores condições de tratamento para o filho.
Segundo a mãe, a CPL não tem cumprido partes do acordo feito, no início de setembro, através da Promotoria de Defesa dos Direitos e Garantias Constitucionais, logo após Wagner Antonângelo ter sofrido um acidente e fraturado o tornozelo e perna esquerda. O acidente ocorreu no interior da clínica, onde ele estava internado, no dia 21 de agosto.
De acordo com Marley Maurício, o acordo previa que a CPL seria responsável pela compra de uma tala de gesso acrílica, de fraldas descartáveis e o aluguel de uma cadeira-de-rodas. Todo este material seria utilizado por Wagner - que tem 32 anos e pesa cerca de 150 kg - no período necessário para a sua recuperação.
‘‘Era o mínimo que a clínica poderia fazer, porque meu filho entrou lá andando e saiu com a perna e tornezelo fraturados em três lugares, necessitando de cadeira-de-rodas. Mas isto só foi conseguido depois da intervenção do promotor Paulo Tavares, e até agora a única coisa que o hospital ofereceu foi a tala de gesso’’, afirma a mãe de Wagner.
Marley Maurício ressalta que a direção da clínica, além de não cumprir o acordo de apoio ao tratamento, não atende às ligações telefônicas da família em busca de negociação. ‘‘Da clínica, só recebemos não na cara. A última vez que atenderam nosso telefonema foi há mais de 15 dias; depois disso, não deram resposta às nossas cobranças e nem nos atenderam mais. Isso é pouco caso.’’
Ela mostra o atestado do médico José Américo dos Santos, do Hospital Evangélico, encaminhando Wagner para fisioterapia por tempo prolongado. O excepcional está à espera de uma vaga para realizar o tratamento no Hospital Universitário. ‘‘Mas mesmo que surja a vaga, vamos ter problemas, porque não temos automóvel e nem dinheiro para táxi. Nas condições em que o Wagner se encontra é impossível irmos de ônibus. O dinheiro não está dando nem para os remédios e a compra das fraldas descartáveis’’, ressalta Marley Maurício, que é separada do pai de Wagner e está desempregada.
‘‘Por isto, necessitamos muito que a clínica cumpra a parte dela no acordo e nos dê o apoio material prometido. Caso isso não aconteça nos próximos dias, vamos entrar na Justiça em busca de nossos direitos e da recuperação de todos os gastos que tivemos em consequência do problema que foi criado lá dentro’’, ameaça, dizendo-se profundamente ofendida com a falta de consideração da assessora administrativa da CPL, Irani Martins, que negociou o acordo com a Promotoria.
O promotor Paulo Tavares afirma que está aberto a intermediar uma renegociação entre as partes, mas que considera complicado chamar a direção da clínica na Promotoria a cada nova reclamação ou reivindicação da família de Wagner Antonângelo. ‘‘Na época, houve o acordo para a compra do gesso especial, e isso foi feito pela clínica. As fraldas não foram pedidas, e a cadeira-de-rodas a família disse que já havia ganho de conhecidos. Parece-me que o quadro do tratamento do Wagner piorou, e por isso a família reclama. É um direito dela, mas fica difícil continuar intercedendo a cada reclamação.’’
Segundo o promotor, no entanto, ele pode voltar a entrar em contato com as partes envolvidas em busca de um novo acordo amigável. ‘‘Se as negociações se esgotarem e não resolverem o problema, a saída para a família é mesmo entrar na Justiça com uma ação cível, cobrando o que ela considera ser seus direitos. A Justiça irá então checar as responsabilidades da clínica e exigir o cumprimento delas’’, garante Paulo Tavares.
A assessora da CPL, Irani Martins, não deu retorno às ligações telefônicas da Folha na tarde de ontem.

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