Mãe de cobrador morto
ainda não recebeu seguro
‘‘Como tudo neste
Brasil, vai valer a
voz do mais forte
e do bandido’’
O cobrador Bernardino Alves de Melo, morto há uma semana durante um assalto, teria reagido para que o roubo não fosse descontado de seu salário. De acordo com a família do cobrador, Bernardino ainda estava pagando outros dois assaltos que sofrera anteriormente, por isso tinha tido uma queda no ganho mensal. Segundo a irmã dele Rosane Fátima Alves de Melo, Bernardino estava preocupado com isso, porque tinha dívidas de movéis de sua casa. Ontem, a direção da Viação Carmo, onde trabalhava o cobrador, foi procurada, mas nenhum diretor quis se pronunciar sobre o assunto.
‘‘Ele ganhava uma mixaria, ainda por cima descontavam dele os roubos, que ele não tinha culpa’’, afirma Rosane. Ela conta que seu irmão era uma pessoa honesta e honrada e, por isso, jamais seria capaz de lesar a empresa que trabalhava. Rosane diz que seu irmão se orgulhava de ser responsável. ‘‘Ele sempre dizia que no negócio em que estava, ladrão e vagabundo não mete a mão’’, conta Ernesto Ribeiro dos Santos, motorista do ônibus onde morreu o cobrador.
‘‘Acho que nada vai mudar depois da morte de meu filho’’, diz a mãe de Bernadino, Tomazina Alves de Melo. Indignada, ela acredita que o menor que o matou deve estar nas ruas daqui alguns dias. ‘‘E o policiamento já não existe nos ônibus’’, critica. ‘‘Como tudo neste Brasil, vai valer a voz do mais forte e do bandido’’, desabafa Rosane.
Com dificuldade em assimilar a morte do filho, Tomazina diz que a família terá que se mudar da casa em que vive. ‘‘Temos que pagar o que falta do lote, onde estão nossas casas, e parte do financiamento da minha casa, mas acho que não vamos ter mais dinheiro para manter isso’’, diz.
‘‘Nem o seguro que a Prefeitura paga para os cobradores nós recebemos’’, queixa-se Toazina. A indenização em caso de morte de um funcionário do transporte público é de R$ 6 mil.
Tomazina diz que não se importa pelo dinheiro que deveria receber. ‘‘Em cada ônibus que passa e em cada estação-tubo, tudo que vejo é o Dino (Bernardino)’’, sacode a cabeça. Ela conta que Bernardino era o filho que mais ajudava a família e os amigos.(I.R.)

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