A dona de casa, Maria Aparecida Almeida, 38 anos, dormiu na fila para garantir a vaga para a filha, que vai cursar a 5ª série ano que vem. Ela chegou na fila no domingo por volta das 22 horas e até ontem às 9h30 ainda não tinha feito a matrícula. Faltavam cerca de 20 pessoas para chegar a vez dela. ‘‘Dormi na fila porque a diretora do colégio já tinha avisado que só tem 200 vagas para a 5ª série’’, disse.
Maria Aparecida mora no Conjunto Requião e diz que o sacrifício de dormir na fila valeu a pena porque senão a filha teria que estudar em outro colégio situado em outro bairro. ‘‘Acho perigoso a minha filha estudar longe e ter que pegar ônibus’’.
De acordo com a diretora do colégio, Neusa Maria Soares, a falta de espaço físico é o principal problema. ‘‘Estamos fazendo o remanejamento, mas os alunos são sacrificados porque este ano, por exemplo, tivemos três turmas de 5ª série em salas com 45 alunos, quando a legislação determina que o número de alunos por sala de aula tem que ser no máximo 35’’. Para o ano que vem, segundo ela, o colégio terá seis turmas de 5ª série.
Para acomodar os novos alunos, o colégio vai utilizar duas salas construídas para emergências e uma sala especial na biblioteca. Conforme Neusa Maria, a maioria dos pais quer que os filhos estudem no colégio Tânia Varella Ferreira porque fica mais próximo de suas residências. ‘‘O problema é com os alunos da 5ª série, que têm em média 11 anos e os pais não querem que eles estudem longe e venham a depender de transporte coletivo para ir e voltar da escola’’, disse.
Outra reclamação é a falta de opção quanto ao período escolar. O 2º grau, por exemplo, só é oferecido à noite no colégio. De acordo com a diretora, mesmo com o dobro de vagas para a 5ª série, o colégio corre o risco de não atender à demanda, já que muitas famílias continuam se mudando para o Conjunto Requião, um bairro que tem quatro anos, e para os bairros vizinhos, todos sem prédio para o ensino de 2º grau. (L.P)

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