Cristine Pieske

Jonas OliveiraDálio Zippin, o pai: ‘‘Eles estavam muito bem preparados tecnicamente’’Nem mesmo a longa convivência com os riscos do alpinismo fez a mãe do curitibano Dálio Zippin Neto, um dos brasileiros que escapou da avalanche no Aconcágua na última terça-feira, confiar no destino da expedição. Alguns dias antes da etapa final da escala da face sul da montanha, Eleni sonhou que alguma coisa terrível acontecia ao seu filho. Certa de que a premonição dela era verdadeira, a família acabou tentando alertar o alpinista para que não participasse da conquista do cume do Aconcágua, marcada para quinta-feira. A mensagem da família, que chegou por rádio-amador, pode ter sido a principal jsutificativa para que Dálio Neto desistisse de estar entre os três alpinistas que abririam caminho até o topo da montanha.
‘‘Pelo plano inicial da expedição, meu filho seria um dos primeiros a vencer o desafio da face Sul, e provavelmente estaria junto com Mozart Catão no momento da avalanche’’, conta o pai do alpinista, o advogado curitibano Dálio Zippin Filho. Também montanhista e fã de esportes radicais, o advogado diz que o filho sabia dos riscos que a equipe estava correndo ao tentar escalar o Aconcágua. ‘‘Eles estavam muito bem preparados tecnicamente e o único problema poderia ser o mau tempo e as avalanches’’, afirma.
O advogado ficou sabendo do acidente por telefone, quando ligou para um hotel do último povoado ao pé da montanha. As informações iniciais eram de que todos os brasileiros haviam morrido. ‘‘Só depois disseram que um loiro de cabelos compridos tinha sobrevivido, e então respirei aliviado’’, conta.
Apesar do susto, o advogado diz que tem certeza de que seu filho e o restante da equipe não foram imprudentes. Para ele, todos os bons esportistas sempre sabem o risco que estão correndo - principalmente quando vão ao Aconcágua. Ao pé da montanha, um cemitério com mais de 160 sepulturas - ‘‘O Cemitério dos Vencidos’’, como é chamado - abriga vários alpinistas que tiveram um fim trágico ao tentar desafiar o gelo.
Para o advogado, uma frase escrita na entrada no cemitério resume o comportamento cauteloso que os alpinistas precisam ter: ‘‘A montanha está sempre aqui’’, diz a placa. ‘‘É o lembrete de que os limites da natureza nunca devem ser ultrapassados porque sempre há uma segunda chance’’, explica.

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