Maurício Borges
De Apucarana
Uma crise depressiva levou ontem Sílvia Carlindo de Morais, 21 anos, residente na Rua Ponta Grossa, na Vila Brasil, em Apucarana, a disparar um tiro de revólver em seu filho C.C.J., de 22 dias de vida e, em seguida, tentar o suicídio, atirando contra sua cabeça. O barulho dos disparos foram ouvidos por vizinhos que chamaram a Polícia Militar, às 10h40.
No local os policiais constataram que tanto a mãe como o filho estavam com vida e providenciaram a imediata remoção para o Hospital da Providência. Segundo informações dadas pelo neurologista Adalberto Rocha Lobo, o disparo contra o bebê atingiu a parte superficial da cabeça, provocando apenas um ferimento externo. ‘‘A criança está internada em observação no berçário da maternidade e não corre risco de vida’’, informou o médico.
Em relação a Sílvia Carlindo de Morais, o neurologista confirmou que seu quadro é grave. O projétil atingiu o lado direito da cabeça e ficou alojado na cavidade craniana. Ela está internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Providência.
Ainda na manhã de ontem, a Polícia Militar prendeu o vendedor autônomo Carlos Costa, 46 anos, que chegou em casa no momento em que a esposa e o filho eram levados para o hospital. Os policiais justificaram que sua atitude foi suspeita, ao fugir do local em alta velocidade. À tarde, depois de prestar esclarecimentos ao delegado João Batista Pinto, Carlos Costa foi liberado.
Conforme explicou Costa, sua esposa já teve diversas crises depressivas, chegando inclusive a ser internada por cinco vezes no Hospital Psiquiátrico Regional, em Jandaia do Sul. ‘‘Nos últimos dias, após o nascimento do filho, ela estava tomando dois remédios antidepressivos, porque seu estado agravou-se bastante’’, revelou Costa. Quanto ao revólver utilizado por Sílvia, uma garrucha calibre 22, Costa declarou que não tinha conhecimento da existência desta arma em sua casa.
Em Cascavel, na semana passada, uma menor matou a enteada de 10 anos, feriu o enteado com um tiro e não soube explicar por que cometeu os crimes. Mãe de um bebê de 10 dias, a menor estava em estado de choque. A polícia de Cascavel pesquisava sobre depressão pós-parto para completar as investigações do caso.

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