Mãe culpa hospital por morte da filha
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segunda-feira, 30 de março de 1998
Carina Paccola 
Mário CésarRevoltaAo lado da mulher, Marinete, e das outras filhas, Jair Rodrigues mostra foto de Michele, quando tinha seis meses O delegado do 1º Distrito Policial, Edmo Ermenegildo, vai abrir inquérito policial para investigar as causas da morte da menina Michele Kauana Alves Rodrigues, ocorrida domingo à noite em Londrina. Michele, que completaria três anos em 28 de abril, morreu a caminho do posto de saúde José Belinati, no centro da Cidade. A mãe de Michele, a dona de casa Marinete Alves Bonifácio, acusa a Santa Casa de ter negado atendimento à menina.
Marinete disse que na manhã de domingo a filha estava com vômitos e diarréia. Durante o dia, Michele tomou soro caseiro e parou de vomitar, mas continuou com diarréia. No final da tarde, a menina acordou agitada e a mãe resolveu levá-la à Santa Casa. Um vizinho levou mãe e filha de carro até o hospital.
Expliquei para um funcionário da Santa Casa o que minha filha tinha. Ele começou a fazer a ficha e perguntou se era particular. Quando eu disse que não, o moço rasgou a ficha, disse que não podia atender e que era para eu ir ao posto de saúde 24 horas, diz Marinete. Quando chegaram ao posto de saúde José Belinati, a menina já estava morta.
A corpo da menina foi velado durante a noite no centro comunitário do Jardim Interlagos (zona leste), onde morava Michele. Ontem de manhã, o pai Jair José Rodrigues, que trabalha como porteiro, resolveu ir à delegacia denunciar o caso. O delegado então determinou que fosse feita necrópsia do corpo de Michele para apurar a causa da morte. A Acesf transportou o corpo da menina até o Instituto Médico Legal (IML) para que fosse feito o exame. O corpo foi liberado do IML às 16h40 e sepultado às 18 horas no cemitério Jardim da Saudade. O chefe do IML, Antônio Carlos Queiroz, não deu retorno à ligação da Folha para informar quando sairá o resultado da necrópsia.
A direção da Santa Casa não quis dar entrevista à imprensa. A assessoria de imprensa do hospital divulgou nota informando que, em relação à denúncia de não atendimento, o plantão para pacientes do SUS (Serviço Único de Saúde) aos domingos, como é amplamente divulgado e de conhecimento da população, não é de responsabilidade da Santa Casa. Ainda assim, a orientação aos funcionários do Pronto Socorro do hospital é de atender a todos os casos de urgência/emergência - diz a nota.
A assessoria informa ainda que, mesmo não estando de plantão para o SUS, o pronto socorro da Santa Casa atendeu a vários pacientes oriundos do SUS no domingo. Segundo apuração preliminar realizada junto aos funcionários do setor, constatamos que por volta das 16h30, no domingo, compareceu uma senhora com uma criança no colo e um acompanhante. Atendida pelo funcionário do setor, a senhora perguntou se o hospital estava atendendo o plantão do SUS, diz a nota.
Conforme a assessoria, o funcionário administrativo do pronto socorro informou que não, mas perguntou o motivo da procura de atendimento. A senhora respondeu que a criança precisava de uma consulta médica porque estava com diarréia e pediu informação sobre o posto de saúde mais próximo, no que foi atendida, diz a nota.
O pai da menina, Jair Rodrigues, afirma que vai processar a Santa Casa e pedir indenização. O dinheiro não trará minha filha de volta, mas a ação pode evitar que aconteçam outros casos como o de Michele. Se eu fosse rico, minha filha não teria morrido. Isso é muito doloroso. O casal tem mais quatro filhos.


