O tráfico de drogas, problema crônico em todo o País, pune a todos indistintamente: o próprio suspeito, sua família e toda a sociedade. Esta semana, a Folha se deparou com um exemplo destes na porta da 10 Subdivisão Policial em Londrina: uma mãe carregada de angústia e tristeza pela detenção do filho adolescente, suspeito de estar traficando crack na Vila Santa Inês (Zona Leste).
''Por que pai e mãe são sempre os últimos a saber dessas coisas?'', questionava a catadora de papel e diarista de 40 anos. Ontem pela manhã, o filho de 16 anos, que até então ''tinha a ficha limpa na Polícia'', foi detido pela equipe do delegado operacional Joaquim Mello com seis pedras de crack escondidas no travesseiro e mais uma quantia em dinheiro. Segundo a mãe, o adolescente não é usuário mas teria sido obrigado por um traficante a guardar a droga em casa. ''Se ele não fizesse isso, sei lá o que ia acontecer com ele'', falou. O menino também é suspeito de ter participação em um homicídio cometido no bairro em abril deste ano mas a mãe garantiu que ele estaria em casa no momento do crime.
''Quando os políciais acharam a droga até eu assustei e comecei a chorar'', contou. O menino estava na 8 série mas deixou os estudos no início do ano. O trabalho como servente de pedreiro também foi abandonado, disse a mãe, há 15 dias. ''Ele poderia ter um futuro e agora não posso fazer mais nada. Quem vai decidir o destino dele é só ele mesmo. A minha parte eu fiz, que foi criar meus filhos e dar comida.''
Por causa do trabalho, a mãe se culpou por não poder ficar em casa o dia todo cuidando dos quatro filhos menores. ''Saio cedo, volto só à noite e eles ficam sozinhos'', lamentou. ''Ele é um menino muito bom e sempre falei com ele que quem se mete com droga só consegue duas coisas: o caixão ou a cadeia''. No caso do seu filho foi a última opção. Depois de ser ouvido na Delegacia do Adolescente, ele foi encaminhado para o Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaadi).

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