A trabalhadora rural Sirlei Oliveira dos Santos, 20 anos, moradora na zona rural de Guaraniaçu (68 quilômetros a leste de Cascavel) estrangulou seu bebê, minutos depois do parto, utilizando um cipó, e enterrou o corpo num capoeiral. O crime, caracterizado como infanticídio, ocorreu no final da tarde de anteontem. Ontem, a mulher foi indiciada em inquérito, porém não foi submetida a flagrante.
Sirlei Oliveira dos Santos, que é solteira e mora na localidade de Santa Luzia, vinha tentando dissimular a gravidez dos pais, Vitalino dos Santos, 44 anos, e Maria dos Santos, 43, usando faixas de pano para manter a barriga apertada. Na tarde de segunda-feira, ela havia acompanhado os pais, em uma roçada para a qual foram contratados, em uma propriedade rural. Enquanto o casal trabalhava, Sirlei foi para o capoeiral, onde deu à luz um bebê do sexo masculino, aos nove meses de gestação.
Depois de estrangular e enterrar o recém-nascido - que pesava 3,5 quilos e tinha 47 centímetros - ela se escondeu em um barraco. Foi encontrada com hemorragia pelos pais, e levada para o Hospital Santo Antonio, em Guaraniaçu, onde permaneceu até ontem. Sirlei disse que matou o bebê por temer represálias dos pais, por ter engravidado sendo solteira. Vitalino e Maria dos Santos ficaram abalados, e admitiram que apenas desconfiavam que a filha estava grávida.
O delegado Agustinho Morbach tomou depoimento de Sirlei e, por orientação do Ministério Público, não a submeteu a flagrante. O promotor Eduardo Augusto Cabrini disse à Folha que o flagrante ‘‘não cabe para o caso’’, porque só poderia ser aplicado no momento do crime, quando a mulher estava enterrando o bebê, se estivesse sendo perseguida ou fossem encontrados com ela objetos usados para o crime. A pena para infanticídio é de 2 a 6 anos de reclusão.

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