De tanto acompanhar o filho às aulas no Instituto Londrinense de Instrução e Trabalho para Cegos, a mãe de Márcio Fernando Rodrigues, Anizia, de 65 anos, aprendeu a ler em braile. ''Lá, me mostraram a sala das mães, mas eu falei que não queria ficar jogando conversa fora e perguntei se eu não poderia aprender'', conta. Dona Anizia, então, recebeu algumas instruções, pegou a cartilha e aprendeu o sistema.
Enquanto o filho fazia supletivo, ela o acompanhava e resolveu aproveitar e voltar a estudar. ''Terminei o primário, porque eu tinha só até a terceira série, e comecei o ginásio. Mas tive depressão e não consegui terminar'', lamenta.
Ela nem imaginava que esses conhecimentos seriam tão úteis para ajudar o filho a concluir a faculdade. Nos primeiros anos, ele redigia o trabalho em braile e ela passava a limpo com sua caligrafia caprichada. ''Ela passou várias madrugadas me ajudando com os trabalhos da faculdade'', lembra Márcio. A costureira também o acompanhava em congressos e lia os livros e textos para o filho. ''Os textos são difíceis, mas deu para aprender bastante coisa'', revela. Por sua dedicação, dona Anizia foi homenageada durante a festa de formatura do filho.
''Meu maior orgulho é que ele é paciente, não reclama da vida. Toca a vida para a frente e pronto. E assim, junto com a força de Deus, a gente supera tudo'', conclui. (A.I.)

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