Mãe apela ao TJ para reaver filha
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terça-feira, 18 de agosto de 1998
James Alberti 
A curitibana Lucélia dos Santos Brito, 43 anos, deu entrada ontem no Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná com uma carta rogatória de busca e apreensão de sua filha Elin Magyar, 3 anos, que está na Hungria com o pai desde março deste ano. O documento foi obtido junto à 3ª Vara da Família de Curitiba ainda no mês de maio.
Lucélia disse ontem que espera apenas o trâmite da carta rogatória no TJ para depois levar o documento ao Ministério da Justiça e ao Itamaraty, em Brasília. Ela tenta, desde que foi expulsa da Hungria, recuperar a criança, que está morando na casa dos avós paternos na cidade de Cegléd, a 70 quilômetros de Budapeste. Apesar de a menina ter nascido no Brasil, Lucélia reclama que tem recebido pouca ajuda da Justiça brasileira.
Isso porque a criança também tem nacionalidade húngara e suíça, país no qual o casal se conheceu e casou, em 1992. Lucélia e o marido, o professor István Magyar, 41 anos, vieram para o Brasil em 1995. Em agosto do ano passado ele resolveu voltar para sua terra natal sozinho e abandonou a mulher e a filha no Brasil.
Em março deste ano, István convenceu Lucélia a levar a menina para a Hungria, com a desculpa de que a avó dela passava mal, poderia morrer e tinha o sonho de conhecer a neta. Lucélia foi e acabou sendo expulsa quatro dias após sua chegada. A criança teria sido impedida de voltar pelo próprio pai.
Apesar da distância e de estar longe da filha há cinco meses, Lucélia tem certeza que vai reaver a criança. Sempre tive confiança de que ela vai voltar, afirmou. Ainda mais agora que sei que tenho a Justiça do Brasil do meu lado, disse. A expectativa de Lucélia, que se diz uma mãe desesperada, é de que tenha a filha nos braços até o final de setembro.
A previsão é otimista demais se levada em conta a posição do Itamaraty. O assessor de comunicação do Itamaraty, Francisco Carvalho Chagas, disse que o impasse deve ser resolvido pelas duas famílias. A embaixada do Brasil na Hungria não tem como fazer pressão política. Essa é uma situação que deve ser resolvida pelas partes, afirmou.
O assessor do Itamaraty lembrou que a menina tem cidadania húngara e que o pai também tem direitos. Chagas disse que a curitibana deveria entrar com um processo na Justiça internacional para recuperar sua filha, já que a Justiça da Hungria pode não respeitar a decisão de um juiz do Brasil. Não será um processo simples, mas sim que demanda tempo e esforço, afirmou.
O delegado do Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride) do Paraná, Harry Carlos Herbert, aponta em direção contrária ao assessor. Segundo Herbert, somente com pressão diplomática Elin voltará ao Brasil.Mãe que teve a filha retida na Hungria pelo próprio
pai entra na Justiça para trazer a criança de volta
Marcelo AlmeidaDesesperoLucélia Brito (acima) com fotos da filha Elin, de 3 anos (abaixo): Sempre tive confiança de que ela vai voltar, ainda mais agora que sei que tenho a Justiça do Brasil do meu ladoLucélia Brito promete
levar o documento ao
Ministério da Justiça
e ao Itamaraty


