Mãe acusada de co-autora na morte da filha é absolvida
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terça-feira, 07 de agosto de 2001
Betânia Rodrigues<BR>De Londrina 
Lucicler Ignez Dias Demestri, 27 anos, foi absolvida por unanimidade pelo Tribunal do Júri de Londrina da acusação de co-autoria na morte da filha Cintia Priscila, 3 anos. O caso aconteceu em abril de 1992. O veredicto foi dado pelo juiz da 1ª Vara Criminal João Luiz Cleve Machado, ontem à tarde.
Os setes jurados acataram o pedido da promotora pública Silmara Nogari que alegou falta de provas contra a ré. Segundo ela, nos autos do processo não há qualquer indício de que Lucicler batesse na filha. Em contrapartida, a ré afirmou que o marido, Alejandro Raul Vargas Demestri, era muito violento e que a havia pressionado a mentir nos primeiros depoimentos.
Para a promotora, a menina morreu em decorrência das contínuas surras que levava. Silmara lembrou os jurados que a autópsia identificou vários hematomas no corpo da vítima provocados em datas diferentes. O juiz disse que o traumatismo crânioencefálico que levou Cintia à morte deve ter sido provocado por um instrumento contundente e não uma queda da escada como o casal sustentava.
A absolvição é uma vitória. Agradeço a todos que me acompanharam nessa luta. Agora só quero sossego para poder cuidar das minhas três filhas, disse Lucicler muito emocionada.
Depois da absolvição Lucicler foi até o 2º DP para receber o alvará de soltura. Foi lá que ela permaneceu os últimos três meses desde que foi presa na casa da mãe, no Jardim São Lourenço, zona sul de Londrina. Semana passada, suas filhas de 7 e 8 anos fizeram um manifesto na porta da delegacia e no calçadão da cidade pedindo orações de apoio para a mãe.
Alejandro Demestri vive em Ciudad del Este (fronteira do Brasil com o Paraguai) desde que recebeu a liberdade provisória em 93. Segundo o juiz, existe um pedido de prisão preventiva contra ele e a Justiça tentará extraditá-lo para o Brasil. O advogado de Lucicler, Hamilton Laertes Araújo, disse que Alejandro confessa que exagerava nas repreensões da filha, mas nunca quis matá-la. Ele garantiu que está disposto a se apresentar à polícia e com a absolvição de Lucicler acho que isso acontecerá mais rápido, comentou o criminalista.


