A auxiliar-financeiro Sandra Regina Vieira ficou indignada por não ter conseguido atendimento para sua filha de 11 anos no posto de saúde da Vila Santa Terezinha (zona leste). ‘‘Minha filha estava com vômito e febre, e apesar de ter chegado antes do final do horário de atendimento da pediatra, ela não quis atendê-la. É um absurdo’’, reclama.
O fato aconteceu na quinta-feira de manhã. Sandra conta que mora perto do posto de saúde mas como a filha estava deitada, ela foi até lá sozinha para ver se havia condições de a menina ser consultada. Informada de que havia apenas quatro crianças na frente, ela diz que voltou para casa, vestiu a filha e retornou à unidade de saúde.
‘‘Às 10h20, eu estava de volta ao posto com minha filha. Como eles não encontraram a ficha antiga e tiveram de fazer uma nova, eu fiquei esperando’’, diz. Ela afirma que quando chegou, a pediatra estava atendendo a última criança. Às 10h55, ela foi avisada pela atendente que a pediatra não iria fazer o atendimento. ‘‘Fiquei brava porque a médica estava lá. Não atendeu porque não quis. Nem se preocupou em ver se o estado da minha filha era grave. Para mim foi descaso’’, reforça.
Segundo Sandra Vieira, o atendente se ofereceu para encaminhar sua filha para o posto José Belinati (centro), informando que lá não tinha pediatra mas a criança poderia ser atendida por um clínico geral. No José Belinati, no entanto, ela foi encaminhada de volta ao posto da Vila Santa Terezinha. A criança só conseguiu ser atendida ontem à tarde.
A Secretaria de Saúde vai apurar o caso para verificar se houve negligência por parte da pediatra. O ouvidor da Secretaria, Euvilson Severino Silva, adiantou ontem que o procedimento para dar atendimento à filha de Sandra foi concluído às 10h55. Os médicos atendem das 7 às 11 horas. ‘‘Foi em cima da hora, mas mesmo assim a pediatra deveria ter atendido’’, afirma.
A ouvidoria já começou a levantar as informações sobre o caso. Se for confirmado que houve negligência por parte da pediatra, diz Silva, ela será advertida e, dependendo da justificativa, poderá ser punida. ‘‘Se o médico ainda estiver na unidade, a orientação do secretário da Saúde é que ele atenda, mesmo que seu horário já tenha acabado’’, enfatiza.
O ouvidor explica que chegam à secretaria cerca de oito reclamações do atendimento nos postos de saúde por semana e 30% delas dizem respeito ao horário médico. ‘‘Todas são verificadas. E quando comprovado que houve erro por parte do funcionário do posto é definida uma punição conforme a gravidade do caso’’, garante.
Para contornar o problema de cumprimento do horário, a Secretaria de Saúde está instalando, gradativamente, relógios de cartão-ponto em todas as unidades. ‘‘Os médicos também terão de bater cartão’’, diz. Ao todo, 46 pediatras trabalham na rede de postos de saúde - 48 unidades. O cartão ponto já está funcionando em 14 unidades básicas de saúde.

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