James Alberti
De Curitiba
A dona de casa Ivonilde Tamião, 50 anos, acusa a Polícia Civil do Paraná de ter extraviado documentos do filho, o lavador de carro José Carlos Cândido, 29 anos. Ontem, era o terceiro dia que ela percorria o 10º e o 11º Distritos Policiais a procura da carteira de Cândido, documento que permitiria ao advogado da família se declarar defensor dativa (pago pelo Estado).
Preso pela Polícia Militar há 25 dias, Cândido foi levado ao 10º DP, onde teria sido visto com os documentos. De lá foi conduzido para uma cela no 11º distrito. O ex-chefe do lavador de carros, Durval Ribeiro, confirmou que viu Cândido com os documentos em mãos. O delegado do 10º DP, Hertel Rehbein, disse que a PM não teria notificado a entrega de nenhum documento em seu boletim. No meio do impasse, está Ivonilde. ‘‘Estão me mandando de um lado para outro. Estou cansada de ser humilhada’’, reclamava.
O filho da dona de casa foi preso sob acusação de suposta tentativa de estupro. Ele teria pego um carro de um cliente, sem autorização do patrão, para levar roupas até sua casa. Na volta, teria encontrado uma prostituta e acertado um programa, que terminou com o carro caído dentro de uma cava no bairro Boqueirão. O próprio Cândido chamou a PM e acabou preso.
O laudo de corpo de delito do Instituto Médico Legal (IML) não confirmou a acusação. O advogado do lavador de carros, Wilson Brustolin, acredita que a prostituta queria se vingar de Cândido. ‘‘Ela armou essa para ele’’, disse. Para o advogado, o lavador de carros estava no lugar errado na hora errada.

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