Felipe Oliveira Cichini, de cinco meses, foi vacinado no dia 19 de outubro e está em observação no Hospital Universitário
Dorico da SilvaSOFRIMENTOPatrícia Oliveira de Paula Cichini, ao lado do bêrço: criança ficou 13 dias internada depois de ser vacinadaReproduçãoO bebê, de cinco meses, nos braços de uma senhora (não identificada)

Lino Ramos
De Londrina

A dona de casa Patrícia Oliveira de Paula Cichini, 21 anos, acusa a unidade básica de saúde do Conjunto Vivi Xavier, na zona norte de Londrina, de erro na aplicação de vacinas em seu filho, Felipe Oliveira Cichini, de cinco meses.
O menino, segundo ela, ficou treze dias internado na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Universitário depois que recebeu as vacinas Tríplice, Anti-haemóphilus (Meningite por haemófilus influenzae tipo B), além da dose contra hepatite.
Felipe foi vacinado no dia 19 do mês passado e continua em observação no setor de pediatria do HU. O departamento de Epidemiologia da Secretaria de Saúde de Londrina está investigando o caso e alega que Felipe recebeu apenas a Anti-haemóphilus (ver texto nesta página).
Patrícia Cichini afirma que seu filho foi imunizado por volta das 11 horas e depois ficou em estado de dormência até as 18 horas. ‘‘Eu vi que ele estava durinho, com os olhos parados e a língua no céu da boca. Ele não tinha firmeza no pescoço’’, contou. Preocupada, levou a criança ao Pronto-Atendimento Infantil (PAI) onde um funcionário teria alegado que Felipe estava bem, e receitou seis gotas de antitérmico (Tylenol).
A mãe foi orientada a procurar o Centro de Referência para Investigação de Efeitos Adversos à Vacina (Crie), do Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Londrina.
Após deixar o PAI, Patrícia percebeu que o filho estava com os braços duros e pediu ajuda a seu pai para levar o menino até o HU. Segundo ela, ao chegar no hospital por volta das 21 horas, Felipe começou a ter convulsão. ‘‘O corpinho estava ficando roxo, a médica disse que se demorasse mais um pouco ele morria em meus braços’’, contou a mãe. A criança foi internada em estado grave.
Segundo o diretor-clínico interino do HU, Marcos Cesar Barros de Almeida Camargo, Felipe deu entrada no Pronto Socorro do hospital no dia 19 por volta das 22 horas, quando a mãe relatou que a criança havia recebido as vacinas tríplice, anti-haemóphilus e contra hepatite. O diagnóstico médico foi uma crise convulsiva prolongada.
Conforme o prontuário, Felipe precisou de ventilação, teve uma discreta melhora, piorou e depois foi entubado. ‘‘Isso não é uma reação normal de vacina. Esse quadro grave não é comum’’, reconheceu Camargo.
Ontem o médico disse que o estado geral do menino era bom, mas que ainda não era possível dizer se a criança irá ficar com sequelas. O diretor-clínico do HU também alegou que não sabia qual neurologista estava responsável por Felipe.
Patrícia Cichini afirmou que chegou a conversar com uma médica após uma tomografia cerebral e ficou sabendo que seu filho estaria com sequelas, que não poderiam ser revertidas com medicamentos. ‘‘Talvez tenha afetado a voz e o ouvido’’, lamentou.
Ela não descarta a possibilidade da família entrar com uma ação na Justiça contra o Serviço Municipal de Saúde.

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