Mãe acredita que houve descaso
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quarta-feira, 18 de junho de 2003
Adriana Savicki e Emerson Dias<br> Reportagem Local 
A confirmação de dengue hemorrágica como causa morte do protético Valdir Góes não convenceu a mãe da vítima. Ele morreu aos 32 anos, em 26 de março, horas após ter sido internado no Hospital da Zona Sul (HZS). Para a pensionista Maria Góes, 58 anos, o filho morreu de ''descaso''. A morte por dengue hemorrágica foi confirmada anteontem pela Secretaria Municipal de Saúde. Das 4.348 confirmações da doença em Londrina, quatro casos foram de dengue hemorrágica, com duas mortes. Um terceira teria ocorrido em decorrencia de complicações da dengue clássica.
''Acho estranho. Ele não estava com febre, manchas no corpo nem hemorragia em parte nenhuma'', disse Maria Góes. Segundo ela, o filho estava com problemas de saúde há mais de um mês. ''Eu lembro que ele estava com muita dor nas pernas e mal do intestino, passou um dia inteiro no hospital e ninguém descobriu o que era'', relatou a mãe, que não lembra quando o filho foi atendido nem o hospital procurado, mas acredita em negligência.
De acordo com relatório da Secretaria de Saúde, a suspeita de dengue foi diagnosticada no dia 24 de março na Unidade de Básica de Saúde (UBS) da Vila Casoni (área central). Dois dias depois ele foi internado às pressas com forte dor abdominal e febre e morreu seis horas depois. Segundo o secretário municipal de Saúde, Sílvio Fernandes, a UBS procedeu de forma correta no atendimento ao rapaz.
A família da auxiliar de enfermagem Isabel Cristina Fidélix Ramos, 28 anos, que morreu vítima de dengue hemorrágica em março deste ano em Londrina, vai processar o Estado por negligência médica. Segundo a irmã de Isabel, Cláudia Fidélix Ramos Martins, 31, a vítima não teve atendimento adequado no Hospital da Zona Sul (HZS), onde morreu horas depois de ser internada.
Cláudia, que também trabalha como auxiliar de enfermagem em um posto de saúde da cidade, decidiu entrar com uma ação judicial assim que soube da confirmação oficial da causa da morte da irmã. ''Levamos a Isabel para o hospital várias vezes naquela semana de março e nenhum médico tratou do caso como dengue. Minha irmã foi praticamente assassinada'', acusou Cláudia.
A morte de Isabel resultou em uma sindicância interna no HZS, encerrada há 20 dias. O promotor Paulo Cesar Tavares disse que está aguardando o resultado oficial da sindicância antes de decidir se vai ou não entrar com uma ação civil pública. ''Ouvimos várias pessoas, entre elas médicos, enfermeiras, auxiliares e até uma especialista em casos de dengue. Estamos aguardando o envio dos documentos solicitados ao hospital e ao município'', explicou Tavares.
O diretor-clínico do HZS, Luciano Canonico, informou que os documentos da sindicância está na Secretaria de Estado de Saúde, que analisaria o caso. ''As informações são sigilosas e, depois de avaliadas em Curitiba, serão entregues à 17 Regional de Saúde'', disse Canonico. A reportagem tentou falar ontem com o chefe da Regional, Gilberto Martin, mas foi informada que ele estava em Brasília.


