A mãe de Rafael, Dalvina Walenga de Souza, também considera que a carta possa ter sido forjada ‘‘para colocarem ele como inimigo de todos e ficar mais fácil darem um fim nele’’. Dalvina afirma que se ele estivesse vivo, teria feito contato. ‘‘Muitas vezes viajava durante alguns dias para qualquer lugar, com medo da Polícia, mas sempre ligava, para mim ou para minha irmã em Maringᒒ, contou. A última vez em que ela viu o filho foi em 13 de março. Ele havia ido comprar refrigerante para o almoço e, antes de sair, disse: ‘‘Mãe, já volto’’. Dalvina descarta a hipótese de que ele tenha viajado, porque não levou roupas ‘‘e não tinha dinheiro, pois eu é que dei uns trocos para ele comprar refrigerante’’. A mulher afirma ainda que seu filho começou a usar drogas aos 18 anos, ‘‘mas já há algum tempo tinha tomado jeito’’.
Rafael Walenga vivia com uma mulher, no bairro Santa Cruz (zona norte) que, depois de seu desaparecimento, sofreu aborto aos quatro meses de gestação. Entre os pertences do rapaz, em sua casa, estão faturas telefônicas que sempre exibia para comprovar que era íntimo – e por isso sabia de suas ações criminosas – de policiais que depois passou a denunciar. Nas faturas, além de inúmeras (e caras) ligações para ‘‘disque-sexo’’ no exterior, aparecem números de telefones de diversos policiais. ‘‘Eles não podem dizer que nunca tiveram nada comigo’’, afirmava Rafael Walenga. (P.P.)

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