Madeireiros são presos em área indígena
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quinta-feira, 02 de agosto de 2001
Cláudia Carneiro<BR>Especial para a Folha<BR>De Guarapuava 
A Delegacia da Polícia Federal de Guarapuava prendeu em flagrante sete pessoas na área indígena de Marrecas, em Turvo (52 km ao norte de Guarapuava) por extração ilegal de madeira. Os policiais apreenderam um caminhão, certa quantidade de imbuia, motosserras, machados, além de dois revólveres e munição.
João Folmer, Carlos Renato Eurick, Agnaldo Eurick, Nelson Antônio Fagundes, Vilmar Alves Fagundes, Paulo Sérgio Fagundes e João Marcos Fagundes apresentaram três recibos assinados pelo chefe do posto indígena, Pedro Seg-Seg, para comprovar a compra da madeira. Eles teriam pago R$ 1.100 pela carga. Todos os detidos estão na Polícia Federal.
Conforme o delegado José Alberto Iegas, a ação foi motivada por denúncias protocoladas no escritório regional da Funai e na Procuradoria da República. No momento do flagrante, os madeireiros garantiram ter autorização do chefe do posto para carregar a imbuia. Eles nos mostraram três recibos assinados por Pedro Seg-Seg. Mas, mesmo assim, os sete foram indiciados por corte ilegal de madeira e porte de arma de fogo, acrescentou. Segundo o delegado, Seg-Seg terá levantada a ficha funcional junto a Funai e pode vir a ser indiciado. A Polícia irá vistoriar a área indígena para apurar a quantidade, que tipo e quando a madeira foi derrubada.
Para Pedro Seg-Seg, que é presidente do Conselho Indígena de Guarapuava e vice-presidente do Conselho Nacional dos Povos Indígenas, tudo não passa de armação política. Segundo ele, desentendimentos recentes com o administrador executivo da regional da Funai, Vladinei Tadeu da Silva, estremeceram a relação da área com a fundação que, garante, passou a ser discriminada pela gerência regional. O que eles querem é que os índios continuem sendo manipulados e dirigidos pela Funai, ataca. Ao mesmo tempo, Seg-Seg admite queos índios têm autonomia para comercializar madeira ou qualquer outro produto cultivado na reserva.
O administrador da Funai, Vladinei da Silva, defende-se dizendo que as denúncias de corte ilegal de madeira partiram dos próprios índios. Silva nega que a área esteja sofrendo qualquer tipo de discriminação, afirmando desconhecer a perseguição política citada por Seg-Seg. Conforme o administrador, no final do ano passado, um acordo assinado entre a Funai, Ibama, Iap permitiu o aproveitamento da madeira que estivesse caída dentro das reservas. A permissão valia somente para as árvores que já estivessem tombadas. Somente uma perícia dirá se a madeira apreendida na área se enquadra no acordo, resumiu.


