A Polícia Federal de Guarapuava ouviu ontem o depoimento de um madeireiro de Turvo que teria trabalhado na área indígena de Marrecas de março de 1997 a outubro do ano passado, período em que retirou centenas de cargas de imbuia desvitalizada, segundo ele, com a autorização do chefe do posto, Pedro Cornélio Seg Seg.
O madeireiro garantiu que Seg Seg recebia 50% de todo o material extraído da área e que os pagamentos eram feitos com a anuência de dois outros índios, um deles o cacique da tribo, Reinaldo Matias. No relato de três páginas, o madeireiro, cuja identidade será mantida em segredo a pedido da Polícia Federal, conta que, além de imbuia desvitalizada também retirava madeira verde da reserva.
As suspeitas sobre Pedro Seg Seg, presidente do Conselho Indígena de Guarapuava e vice-presidente do Conselho Nacional dos Povos Indígenas, vieram à tona depois que uma carta, escrita em fevereiro pelo irmão dele, Lili Cornélio, foi entregue à Procuradoria da República. A carta vinculou a saída da madeira ao patrimônio do índio. Conforme Cornélio, o irmão teria 386 cabeças de gado e mais de 100 cavalos.
Pedro Seg Seg nega a afirmação. Segundo ele, os únicos pertences que têm são 12 porcos e uma pequena casa ‘‘que, inclusive, queria aumentar mas ainda não pude por falta de dinheiro’’, conta. Seg Seg quer esperar o fim das investigações para se defender. ‘‘Se a polícia achar que eu devo, vou me defender; mas se não, vou processar todos que me acusaram sem provas’’, adiantou.

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