Macuquinho ainda não tem destino certo
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terça-feira, 25 de agosto de 1998
Guilherme Vieira 
A população de macuquinhos-da-várzea que habita a área a ser alagada pela Barragem do Rio Iraí, no município de Quatro Barras, não deve ser transferida para a unidade de preservação ambiental que será criada para garantir a preservação da espécie. Segundo o coordenador técnico do Estudo de Conservação da ave, Paulo Roberto Ferreira Carneiro, apenas os macuquinhos originários do local vão permanecer na unidade de preservação, para manter a fauna da região intocada.
Segundo Carneiro, se a transferência das aves fosse feita poderia provocar um desequilíbrio populacional, comprometendo o projeto de garantia da sobrevivência do macuquinho-da-várzea. Ao levar os pássaros para a área de preservação, se transfere todo o impacto ambiental da área alagada para a unidade, afirma. Carneiro diz que os pássaros localizados nas proximidades da Barragem do Iraí devem ser resgatados quando a inundação ocorrer, mas que ainda não está definida qual a destinação que vai ser dada às aves.
O macuquinho-da-várzea foi descoberto há cerca de um ano pelos pesquisadores paranaenses Marcos Bornschein, Bianca Reinert e Mauro Pichorim na área que seria alagada pela Barragem do Rio Iraí, que está sendo implantada pela Copel. Desde então os biólogos iniciaram uma campanha para preservar a espécie, conseguindo sensibilizar o Banco Mundial, que financia as obras da barragem. Foi então realizado um acordo entre o banco e o governo paranaense, para a criação de uma unidade de preservação ambiental que garantisse a perpetuação da espécie no Paraná.
Desse entendimento foi criado o Estudo de Conservação do macuquinho-da-várzea, que vem acontecendo há 23 dias e pretende localizar as áreas que possuem populações da ave. Um desses locais seria então selecionado para a criação de uma unidade de preservação ambiental para garantir a espécie. Segundo Paulo Carneiro, a metodologia utilizada pelas quatro equipes envolvidas no trabalho é a de varredura, em que se pretende percorrer uma grande área do Paraná, que vai de Morretes (Litoral) a União da Vitória (região Sul), acompanhando o curso do Rio Iguaçu e os seus afluentes da margem esquerda, como o Rio Negro e o Rio da Várzea.
O pesquisador informou que inicialmente o trabalho consiste em sobrevoar áreas de helicóptero e comparar o que foi observado com imagens de satélite e fotografias aéreas e mapas. Desse procedimento vão ser selecionadas algumas áreas de várzea em melhores condições ambientais, que vão ser alvo de um trabalho de campo. A partir daí vamos poder identificar em que local existe a espécie, e procurar uma área maior e melhor ao local em que a ave foi encontrada pela primeira vez, disse. Paulo Carneiro informou que os trabalhos de pesquisa devem terminar antes do final do ano.Tom GrandoExigênciaDescoberto há apenas um ano, o macuquinho-da-várzea provocou o adiamento da construção da barragemSerá criada área de preservação próxima à barragem do Iraí, mas ela não vai abrigar as aves da região alagada
Especialista diz que
transferir os pássaros
provocaria desequilíbrio
na área de preservação


