A população de macuquinhos-da-várzea que habita a área a ser alagada pela Barragem do Rio Iraí, no município de Quatro Barras, não deve ser transferida para a unidade de preservação ambiental que será criada para garantir a preservação da espécie. Segundo o coordenador técnico do Estudo de Conservação da ave, Paulo Roberto Ferreira Carneiro, apenas os macuquinhos originários do local vão permanecer na unidade de preservação, para manter a fauna da região intocada.
Segundo Carneiro, se a transferência das aves fosse feita poderia provocar um desequilíbrio populacional, comprometendo o projeto de garantia da sobrevivência do macuquinho-da-várzea. ‘‘Ao levar os pássaros para a área de preservação, se transfere todo o impacto ambiental da área alagada para a unidade,’’ afirma. Carneiro diz que os pássaros localizados nas proximidades da Barragem do Iraí devem ser resgatados quando a inundação ocorrer, mas que ainda não está definida qual a destinação que vai ser dada às aves.
O macuquinho-da-várzea foi descoberto há cerca de um ano pelos pesquisadores paranaenses Marcos Bornschein, Bianca Reinert e Mauro Pichorim na área que seria alagada pela Barragem do Rio Iraí, que está sendo implantada pela Copel. Desde então os biólogos iniciaram uma campanha para preservar a espécie, conseguindo sensibilizar o Banco Mundial, que financia as obras da barragem. Foi então realizado um acordo entre o banco e o governo paranaense, para a criação de uma unidade de preservação ambiental que garantisse a perpetuação da espécie no Paraná.
Desse entendimento foi criado o Estudo de Conservação do macuquinho-da-várzea, que vem acontecendo há 23 dias e pretende localizar as áreas que possuem populações da ave. Um desses locais seria então selecionado para a criação de uma unidade de preservação ambiental para garantir a espécie. Segundo Paulo Carneiro, a metodologia utilizada pelas quatro equipes envolvidas no trabalho é a de varredura, em que se pretende percorrer uma grande área do Paraná, que vai de Morretes (Litoral) a União da Vitória (região Sul), acompanhando o curso do Rio Iguaçu e os seus afluentes da margem esquerda, como o Rio Negro e o Rio da Várzea.
O pesquisador informou que inicialmente o trabalho consiste em sobrevoar áreas de helicóptero e comparar o que foi observado com imagens de satélite e fotografias aéreas e mapas. Desse procedimento vão ser selecionadas algumas áreas de várzea em melhores condições ambientais, que vão ser alvo de um trabalho de campo. ‘‘A partir daí vamos poder identificar em que local existe a espécie, e procurar uma área maior e melhor ao local em que a ave foi encontrada pela primeira vez’’, disse. Paulo Carneiro informou que os trabalhos de pesquisa devem terminar antes do final do ano.Tom GrandoExigênciaDescoberto há apenas um ano, o macuquinho-da-várzea provocou o adiamento da construção da barragemSerá criada área de preservação próxima à barragem do Iraí, mas ela não vai abrigar as aves da região alagada
Especialista diz que
transferir os pássaros
provocaria desequilíbrio
na área de preservação

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