''Maconha é porta de entrada para outras drogas''
O psicólogo José Carlos da Silva Camargo, que atende dependentes químicos e familiares há 19 anos, aponta que a grande maioria dos pacientes narra que iniciou o vício por meio das drogas lícitas, como o tabaco e o álcool. ''Depois surge a maconha, que seria um passo a mais, uma identificação de um grupo, uma forma de autoafirmação.''
Segundo Camargo, já no segundo baseado o usuário começa uma linha de declínio. Para adquirir mais droga, ele vende os objetos pessoais. Depois vende bens dos familiares. Os próximos passos são mais degradantes.
O psicólogo faz um alerta aos pais sobre como a maconha tem sido divulgada como uma erva natural, que não prejudica o ser humano. Ele lembra que seu uso pode causar surtos psicóticos e até desencadear a esquizofrenia, para quem tem uma predisposição à doença. ''O que é comumente chamado de barato é a ação química que perturba todo o sistema nervoso central, desorganizando a percepção da pessoa, como faz o LSD e alguns cogumelos.''
Outra preocupação do especialista é a elitização da maconha - associação da droga com as pessoas que tem uma vida alternativa, que são chamadas de ícones da cultura brasileira. ''É um absurdo um artista ou político citar o uso da maconha como algo positivo. Alguns dizem que ela é uma erva natural, que não prejudica a saúde. Todas as drogas vêm da natureza. Elas são sintetizadas depois.''
Balada
''A maconha é porta de entrada. Em uma balada você vê as pessoas preparando o cigarro, usando o Pure Hemp, aquela 'sedinha' para enrolar o baseado, que os mais velhos chamam de 'mortalha'. Só que essa é de fibra de maconha, o que gera um atrativo a mais. As pessoas sempre estão sorrindo, se divertindo e enturmadas. Isso faz o adolescente querer fazer parte desse mundo.''
O depoimento é de César (nome fictício), 22 anos, que diz que começou a usar maconha aos 14 para tentar fazer amigos. Em poucas semanas o jovem já fumava seis cigarros diários. A tolerância crescente aos efeitos da maconha fez com que buscasse outras drogas, como a cocaína, o LSD e o ecstasy. Em menos de um ano estava gastando R$ 100 por dia para sustentar o vício.
Os pais do jovem agiram. Ele foi internado em uma clínica de recuperação e passou um ano em intensa terapia. Hoje, César faz parte dos Narcóticos Anônimos, e está há dois anos sem fazer uso de entorpecentes. (B.M.)





