Machucada, grávida sofre para ser atendida
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quinta-feira, 09 de outubro de 2003
Vanessa Navarro<br> Reportagem Local 
Quando saiu de casa no Conjunto Morumbi, em Cambé (13 km a oeste de Londrina), para ir ao dentista, na manhã de ontem, a dona de casa Fernanda Cordeiro de Souza, 18 anos, não imaginava o sufoco que ia passar. Grávida de cinco meses, ela custou a conseguir atendimento médico depois de tropeçar em uma calçada da Rua Pio XII (região central de Londrina), batendo a barriga no chão.
Acompanhada do marido, o auxiliar de expedição Wilson Eurípedes Lucindo, 21 anos, a gestante foi socorrida por um motorista. Ele levou o casal para a Santa Casa de Londrina, sem saber que o hospital não atende gestantes. Ao pedir que o recepcionista chamasse uma ambulância para encaminhar Fernanda a outro hospital, uma surpresa: o funcionário informou que não estava autorizado a telefonar para o Transporte Emergencial Centralizado (TEC), que atende pelo número 192.
Enquanto esperava, a dona de casa ficou dentro do carro, sentindo muita dor. A comerciante Aparecida Domingues Aliberti, 35 anos, que viu a cena, estava revoltada. ''É uma injustiça, pobre é sempre humilhado'', opinou. Sem conseguir uma ambulância, o motorista levou Fernanda para o Hospital Universitário (HU) de Londrina, onde ela foi atendida. ''Foi muito sofrimento, ela passou muita dor. A gente fica sem saber se os hospitais não têm condições ou se é descaso mesmo'', afirmou o marido. Fernanda teve alta ontem à tarde e a saúde do bebê não foi prejudicada.
A assessoria de imprensa da Santa Casa informou que o hospital não tem ginecologistas ou obstetras e que não é permitido aos hospitais acionar o 192. O gerente do TEC, Carlos Henrique Santana, confirmou que o serviço não aceita chamados de hospitais. ''Nesse caso (de Fernanda), só atenderíamos se uma pessoa de fora do hospital nos telefonasse'', admitiu.
Santana disse que a regra foi criada para evitar que os hospitais utilizem o serviço para pacientes que já tiveram alta. O gerente acrescentou que o motorista que socorreu a gestante deveria ter acionado o 192 ainda no local do acidente.
Apenas dois hospitais em Londrina atendem gestantes com menos de oito meses de gravidez, com convênio pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Um deles é o HU, que está com a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal interditada. O outro é o Hospital Evangélico (HE), que tem oito vagas nas UTIs neonatal e pediátrica, mas até ontem estava com nove pacientes. A reportagem da Folha procurou o secretário municipal de Saúde, Sílvio Fernandes, para comentar a situação, mas foi informada que ele está viajando.


