Macetes fazem parte do ritual do teste
Quem fracassa na prova prática que habilita a dirigir tem um algoz inquestionável - o examinador do Detran-PR (Departamento de Trânsito do Paraná). Ríspido, agressivo, esse profissional, que acabou de conhecer o candidato, sempre o está perseguindo. Ainda mais quando a pontuação permitida vai além dos três pontos permitidos no exame. Infelizmente, o ser humano sempre vai procurar um responsável pela sua incapacidade e o mais fácil de enxergar é o examinador, justifica o examinador Manoel Luiz Gallieri.
Eduardo Lourenço Bana, que na última sexta-feira levou bomba no exame, considera que fez quase tudo certo e, por isso, não entendeu as razões da sua reprovação. Fiz quase tudo certo. Sei que estava nervoso e cometi alguns erros, mas não entendo por que não passei na prova, diz, inconformado. Ele considerou o examinador um tanto ríspido. No mesmo dia, Renata Silveira, 18 anos, teve uma crise de choro logo que soube do resultado do exame. Inconformada, ela diz que se sentiu pouco segura ao lado do examinador. Errei tudo que sabia por causa do medo, diz.
Marcelo AlmeidaRenata: choro porque errou tudo que sabiaApesar do inconformismo, nenhum dos dois questionou o resultado. Mas sempre existem aqueles que vêm pedir mais explicações, diz o examinador Gallieri. Neste momento, quando o candidato ainda está nervoso, o examinador abusa da psicologia para fazer a pessoa entender por que não passou na prova. O candidato sabe que se reclamar à direção do órgão, nós teremos que ficar com o ônus da prova em relação à reclamação, diz.
Antes das provas, também acontecem saias-justas. Uma vez um candidato me deu um aperto de mão acompanhado de dinheiro, diz. Outra forma de suborno é prender dinheiro na carteira de identidade. Todo mundo procura um jeitinho de ser aprovado, quando na verdade deveriam conhecer o código e saber melhor as técnicas de direção, avalia.
Marcelo AlmeidaGallieri: todos tentam jeitinho para aprovaçãoGallieri critica a forma de ensino das auto-escolas que formam robozinhos. Não é difícil encontrar pessoas que fazem tudo certo, mas a gente sente que não é capacitado para ganhar a habilitação, comenta. Ele conta que já flagrou um motorista que falava em voz alta a sequência que a auto-escola ensinou para realizar um cruzamento à esquerda. Com uma cola debaixo da perna, outro seguia no papel o esquema para realizar a baliza.
No entanto, o diretor do Sindicato das Auto-Escolas do Paraná, Aramis Novaes, acredita que os alunos das escolas estão muito bem capacitados. Muito acima dos 60% de aprovação, Aramis garante que 85% dos estudantes dessas empresas passam no primeiro teste. Sabemos todos os macetes que os examinadores pedem, diz, acrescentando que todos os instrutores do Estado são treinados pelo Detran.(I.R.)





