Mário César‘Queremos comida’Protesto de estudantes virou almoço após uma hora de esperaA macarronada à bolonhesa, prevista para ser servida ao meio-dia, ficou pronta às 13 horas, quando os alunos da UEL fizeram o corte simbólico da fita colocada pela construtora na entrada do RU. ‘‘Queremos comida, queremos comida’’, gritavam os manifestantes.
Preparados para servir 100 pessoas, os organizadores levaram para o pátio do restaurante 30 quilos de macarrão, 20 quilos de carne moída, 12 quilos de molho refogado e 5 litros de suco concentrado. Providenciaram uma cozinheira mas acabaram esquecendo alguns detalhes que atrasaram o preparo do almoço. Era meio-dia, quando chegaram os pacotes de macarrão e o botijão de gás. A água começava a esquentar no panelão colocado num fogareiro. ‘‘Se estivesse tudo no jeito, em meia hora ficava tudo pronto’’, disse a faxineira Luzia da Silva. Para preparar a macarronada, ela receberia R$ 50,00.
‘‘A comida ainda não está pronta?’’, queria saber a estudante esfomeada que, depois de dar uma olhada nas panelas vazias, desistiu do almoço no campus. ‘‘Vim dar uma mãozinha pro pessoal porque não como macarrão’’, disse Karla Rubian, estudante de Educação Física. Disposta, ela ajudou a lavar as bandejas, a preparar o suco e a servir a refeição.
‘‘Alguém pode dar uma mão?’’ Sem o escorredor de macarrão, a cozinheira tratava de remover a água fervida com a ajuda de uma tampa. O protesto teve também o apoio do Diretório Central dos Estudantes (DCE).
‘‘RU com comida. Eu apóio você! Apoio: Estudantes Famintos. Welcome RU’’. A frase foi estampada nas camisetas, vendidas a R$ 4,20 (preço de custo, segundo os organizadores do protesto). Presidente do Centro Acadêmico de Arquitetura, a estudante Patrícia Zandonadi, uma das integrantes da comissão organizadora, observou que o mais importante não era a comida. ‘‘Queremos abrir a consciência do pessoal.’’
‘‘O rango sai ou não sai?’’ Gisele Trevisan e Melissa de Oliveira, ambas estudantes de Biologia, aguardavam na fila da macarronada e reforçavam os comentários sobre a importância do restaurante no campus.
Depois do corte da fita, finalmente a macarronada estava pronta. ‘‘Está uma delícia. Melhor do que eu esperava’’, comentou Caio Pamplona, do curso de Biologia. Foram servidos pouco mais de 50 pratos. Por volta das 13h30 a fila dos famintos já estava desfeita. Estômagos cheios, muitos tratavam de retornar às salas de aula.

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