Carlos Eduardo Fonte tem apenas 8 anos. No primeiro fim de semana depois de um Dia das Crianças sem nenhuma comemoração especial, o pequeno morador de Florestópolis (73 km ao norte de Londrina) sai de casa logo cedo, cheio de ansiedade. O motivo? Fazer uma das refeições mais gostosas do ano: a macarronada preparada por Lázaro Liberato de Oliveira e sua família.
A mesma alegria do menino pôde ser vista no rostinho de outras dezenas de crianças, moradoras da zona rural e urbana de Florestópolis, durante o grande almoço comunitário servido ontem no Colégio Estadual Eudce Ravagnane. A iniciativa da bela ação de caridade, que alegra mais de 500 crianças há 12 anos, partiu de Lázaro, que é morador e vendedor de doces da cidade e região.
Ele lembra que a primeira vez em que resolveu ''presentear'' as crianças de Florestópolis só distribuía doces. ''Foi na frente da minha casa. Entregamos doces para as crianças, mas queria poder fazer algo mais. Então, pensei em preparar uma boa macarronada, assim toda a família podia participar e ter um dia alegre e gostoso'', comenta.
Emocionado ao ver a empolgação das crianças na fila do almoço, Lázaro diz que muitas famílias carentes da região não têm condições de fazer grandes variações nas refeições diárias. ''Fico muito feliz em vê-las comendo. Muitas acabam comendo só o macarrão, deixando de lado até mesmo a carne. Várias trazem vasilhas para levar o macarrão para casa'', reforça, sorrindo.
A refeição de ontem reuniu cerca de 800 pessoas entre crianças e adultos. Ao todo foram servidos 180 quilos de frango; 80 quilos de macarrão e mais de 30 litros de molho de tomate. Todo o alimento é comprado por Lázaro e preparado com muito carinho por ele e seus familiares. O irmão de Lázaro, Benedito Pinto da Fonseca não deixa de cozinhar um ano sequer. Ele e a esposa, Darci Barão da Fonseca, reservam essa época do ano exclusivamente para os preparativos da refeição.
Ao longo dos anos, políticos quiseram ajudar o comerciante com a compra dos alimentos, mas ele não aceita: ''Enquanto eu tiver condições, sirvo o almoço. Quando não tiver mais, a gente pára''. A família toda se envolve no trabalho. Só ontem, mais de 20 pessoas, entre sobrinhos, irmãos e cunhados, colaboravam com a organização do evento, que terminou com a distribuição de doces.
A diarista Maria Rosa Jorge, 24 anos, levou o filho, Luis Otávio, de 3, para degustar a macarronada. O almoço festivo é dia de alegria para seu filho. ''Ele veio todo empolgado porque adora comer bem e ficar entre outras crianças'', comentou. Esperto, o menino responde rápido quando é questionado se prefere o macarrão ao doce: ''O macarrão!''.

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