Macarrão de soja é mais um aliado no combate à desnutrição
Os programas de combate à fome e a desnutrição acabam de ganhar mais um aliado. É um macarrão com 40% a mais de proteínas que as massas tradicionais. Produzido com 80% de farinha de trigo e 20% de farinha de soja, o macarrão foi desenvolvido por dois pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa de Soja da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa/Soja), em Londrina.
O resultado vai ser mostrado durante o Congresso Brasileiro de Soja, de 10 a 20 de maio, no Parque de Exposições Ney Braga, que vai abordar, entre outras coisas, o emprego da soja na alimentação humana e sua utilização na prevenção de cura de doenças crônicas.
Segundo a pesquisadora da Embrapa/Soja, a doutora em ciências de alimentos Mercedes Concórdia Carrão Panizzi, uma das responsáveis pelo desenvolvimento do macarrão, além do aumento do valor protéico, a combinação de soja e trigo confere à massa características nutricionais superiores e de melhor qualidade protéica. Não só aumenta a quantidade de proteínas como também sua qualidade dá um salto significativo, já que há um balanço adequado de aminoácidos essenciais entre a leguminosa soja e o cereal trigo, explica.
Mercedes Concórdia Carrão Panizzi diz que a soja também fornece um teor maior de gorduras, elevando o valor calórico do alimento. Outro fator de indicação da utilização da soja é, segundo ela, o alto teor de ferro que contém a leguminosa. Assim, o macarrão pode servir como uma arma no combate à desnutrição, já que atende deficiências calórico-protéicas em crianças em fase de crescimento e idosos, aponta.
Para ela, o macarrão de soja é extremamente indicado para aplicação em programas de alimentação institucionais, como a merenda escolar. Geralmente, esses programas possuem uma vaca mecânica para a produção de leite de soja. O macarrão pode ser feito com o resíduo do processo de extração do leite, que já vinha sendo utilizado na panificação, destaca.
As pesquisas com o macarrão foram feitas dentro do programa de divulgação da soja, onde são desenvolvidas aplicações da soja dentro de receitas tradicionais. A idéia de aplicar soja ao macarrão veio justamente por ser um alimento quase universal e de grande aceitação popular, independente de idade, sexo ou classe social. Praticamente, todo mundo gosta de macarrão e seria uma maneira fácil de introduzir a soja, justifica.
As pesquisas nesta área são viáveis, segundo ela, não só pelas vantagens nutricionais como também pelos benefícios que a leguminosa proporciona à saúde, de modo geral. Só este ano, serão realizados três congressos internacionais, na Bélgica, Finlândia e Japão, que discutirão os efeitos positivos da soja na prevenção de câncer da mama e próstata e outras doenças, garante.
Segundo Mercedes, as pesquisas levaram cerca de um ano até obter um produto final, com cor, textura e sabor semelhantes ao da massa tradicional. Fizemos testes com 5, 10, 20 até 50% de farinha de soja, e concluímos que o ideal é a proporção 20-80. Ela já teria um valor protéico significativo e não perderia a elasticidade que a farinha de trigo proporciona, avalia.
Segundo ela, dos 180 funcionários da Embrapa que participaram de um teste de degustação, 80% aprovaram o sabor incondicionalmente.
A produção do macarrão pode ser feita em casa ou em pequena e média escalas por agroindústrias. A Embrapa não tem planos de comercialização do produto. Nós desenvolvemos a técnica. Se alguma indústria tiver interesse em produzir em larga escala, temos tecnologia para assessorá-la, explica.
Qualquer creche ou entidade que esteja interessada em aprender a produzir o macarrão também pode entrar em contato com a Embrapa/Soja (fone 043-371-6000). Além de fornecer a receita, nós ensinamos a fazer, garante Mercedes. O custo maior seria a aquisição de uma máquina de pastifício que é, segundo ela, relativamente barata.
COMO
PREPARAR
IngredientesPaulo WolfgangMão na massaMercedes ao lado da cozinheira: alimento tem 40% a mais de proteínas do que as massas tradicionaisTelma Elorza





