Macacos se reproduzem e povoam mata
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sexta-feira, 23 de outubro de 1998
Luciane Tonon 
Depois de três anos de negociações entre o governo do Estado e os proprietários do Sítio Santa Alzira, em Itambaracá (46 km a oeste de Cornélio Procópio), para que 10 alqueires de mata sejam tombados para se tornar uma unidade de conservação ambiental, nada foi concretizado. Os recursos ainda não foram liberados e a mata está abandonada. Porém, a população de animais da mata tem aumentado, principalmente entre as famílias de macacos, que já são mais de 200.
A mata tem sido refúgio dos macacos por estar próxima à área a ser alagada após a conclusão das hidrelétricas Canoas 1 e 2, que estão sendo construídas pela Companhia Energética de São Paulo (Cesp), no Rio Paranapanema. O vice-prefeito de Itambaracá, José Gomes, que tem uma propriedade vizinha à mata, há mais de 13 anos alimenta os animais. Porém, agora, eles têm se reproduzido muito e a situação está ficando difícil para ele bancar a alimentação deles.
Compensação Se antes eu levava pencas de bananas, agora tenho que levar caixas inteiras, porque só os produtos da mata não são suficientes para alimentá-los. Então, eles acabam invadindo lavouras vizinhas, explicou o vice-prefeito. Ele tornou-se amigo dos macacos e com apenas um chamado os bichos se aproximam em busca de comida.
É lamentável que o governo ainda não tenha assumido a mata. Até mesmo a Cesp poderia custear o projeto, afinal é ela a responsável pelos danos ambientais da região, sugere.
O proprietário da mata, Ivo Aparecido de Almeida, é dono de uma madeireira. Anos atrás, ele solicitou autorização do Ibama para retirar madeira da mata, que reúne diversas espécimes de perobas com mais de 40 metros de altura. Porém, algumas manifestações ecológicas fizeram com que o Ibama reavaliasse a autorização e Almeida foi impedido de efetuar qualquer tipo de corte.
No final de 1995, iniciou-se uma negociação com o governo do Estado para a compra da mata. Almeida aceitou a proposta de venda - a área foi avaliada em R$ 72 mil, mas até hoje não recebeu o dinheiro. Me impediram de tirar da mata o meu sustento, mas não me recompensaram por isso, reclama.
Auto-sustentável A veterinária e ecologista de Itambaracá Mariza Fordellone Rosa Cruz afirma que a mata precisa urgentemente se tornar uma unidade de conservação. Para que ela se torne auto-sustentável e nem mais um ramo poderá ser cortado dali. O governo precisa olhar para isso.
A mata abriga exemplares de macacos bugio e prego, quati; tatu e vários tipos de pássaros. Já a flora, além de perobas, possui algumas madeiras-de-lei. Seria um local excelente para pesquisas científicas e educação ecológica, acrescentou Mariza.
O prefeito de Itambaracá, Servilho Cherubim Filho (sem partido) diz que o Estado alega falta de recursos. Era para ter saído este dinheiro o ano passado. Depois me prometeram para maio deste ano. Adiaram para setembro e até agora nada, disse. A prefeitura também tem interesse que este problema seja resolvido.


