Macacos bandidos ''invadem'' residência
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segunda-feira, 28 de maio de 2007
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Quando dona Belizária Lima da Cruz resolveu sair depois do almoço para visitar a filha nunca poderia imaginar cena igual a que assistiu ao chegar em casa. Ao entrar na cozinha, a aposentada encontrou armários abertos e alimentos espalhados por todo o chão. A casa havia sido invadida, por ironia do destino, por macacos.
Dona Belizária vive há oito anos numa casa localizada na rua Charles Lindemberg, aos fundos do Parque Arthur Thomas, Zona Leste de Londrina. Segundo ela, é comum os macaquinhos que vivem no parque aparecerem na vizinhança de vez em quando para apanhar bananas na fruteira. ''Mas esta foi a primeira vez que eles entraram em casa e reviraram tudo'', afirmou a aposentada.
De acordo com ela, os bichinhos entraram por uma fresta da janela da cozinha, que a aposentada costuma deixar aberta ''para entrar um arzinho''. Além de abrirem o armário e espalharem todo tipo de alimento que encontraram pelo caminho, os macacos abriram latas e levaram embora um pacote de mistura para bolos, um pacote de coco ralado e uma lata de leite condensado.
''Eles derrubaram o lixo no quintal e fizeram cocô por toda parte. Só não abriram a geladeira'', contou a aposentada, que precisou da ajuda da neta e do marido para limpar a bagunça. ''Tive que passar álcool em tudo porque eles sujaram toda a louça que estava na pia.''
Dona Belizária não avisou ninguém porque já está acostumada com as visitas dos primatas, mas reclamou dos prejuízos. ''É final de mês e você sabe como aposentado tem o orçamento apertado. Fiquei até sem pó para coar café de manhã. Tive que pedir para a vizinha'', assinalou a aposentada, questionando: ''Se a gente reclama escuta que tem que proteger os macacos, mas quem é que vai me proteger deles ?''.
De acordo com o secretário do Meio Ambiente de Londrina, Gerson da Silva, existem hoje 64 macacos-prego no Parque Arthur Thomas, número que supera a capacidade permitida na área oficial do parque, que é de 40 animais.
Um levantamento feito este ano pela Sema apontou a possível existência de um corredor biológico entre o Arthur Thomas e o Parque Daissako Ikeda, na Zona Sul.''Tudo indica que os macacos são do mesmo bando por isso não há necessidade de remanejá-los para outra área'', disse o secretário.
Ele também prepara uma justificativa técnica para apresentar ao Ibama, na qual pede autorização do órgão para castrar alguns macacos como forma de controle populacional no parque. ''Se não for aprovada a castração, a Sema já encontrou uma área aparentemente compatível para realocar os animais.''
De acordo com Gerson da Silva, os macacos-prego são bastante inteligentes e capazes de tudo quando buscam alimento. ''Eles sentem o cheiro da comida e vão atrás. Se você não mexer com ele, ele pega o alimento e vai embora, mas se você impedí-lo de levar a comida ele pode partir para agressão.''
No Parque Arthur Thomas, os macacos têm à disposição árvores frutíferas e também são alimentados diariamente com bananas,''por isso não há necessidade de dar comida para eles nem dentro nem fora do parque'', completou Silva.
Segundo ele, os bandos geralmente são liderados por macacos maiores e mais fortes, chamados alfa, que têm pouco mais de 50 centímetros entre a cabeça e o rabo. ''Já os menores têm até 30 centímetros e seguem as ordens do alfa, que também é o protetor do bando'', explicou o secretário.
Para evitar problemas com os vizinhos do parque, a Sema tem uma proposta de trocar as árvores frutíferas por árvores nativas. ''Se o animal estiver fora do parque, basta avisar a Sema, que irá mandar um agente até o local para recapturar o bicho ou auxiliar o retorno dele ao parque'', avisou Gerson da Silva.
Ele assinalou ainda que os 59 quatis que vivem hoje no parque também costumam ser agressivos quando querem se alimentar. ''Mas são mesmo os macacos que costumam sair mais porque têm facilidade para subir nas árvores e trepar em tudo quanto é lugar. Os quatis são animais mais rasteiros.''


