Má qualidade de exame é prejudicial ao diagnóstico
Curitiba - O bom funcionamento de qualquer equipamento médico depende da realização rotineira de manutenção. Com os serviços de raio-x e radiodiagnóstico, essa preocupação é igualmente importante. "Equipamentos desregulados podem emitir radiação em diversas direções ao invés de produzir um feixe reto, como é esperado", explica o físico Danyel Soboll.
Como resultado, além da emissão desnecessária de radiação em outras direções, a qualidade do exame final também é prejudicada. "O técnico acaba precisando repetir o exame, o que expõe o paciente a mais radiação", aponta. "A má qualidade de um exame também é prejudicial ao diagnóstico", alerta o médico Lutero Marques de Oliveira, especialista em radiodiagnóstico.
Segundo Oliveira, a falta de manutenção pode, inclusive, produzir exames com resultados equivocados. O médico também alerta para a realização desnecessária de exames radiológicos. "Como o efeito da radiação é cumulativo, o ideal é limitar a exposição. O princípio a ser perseguido é sempre o da relação custo-benefício positiva para o paciente", aponta.
Para Oliveira, muitas vezes as pessoas se submetem a exames desnecessariamente. "O paciente tem que estar consciente do efeito disso no longo prazo. Uma tomografia, por exemplo, tem a mesma dosagem de radiação de 120 exames de raio-x. Não é um exame que deva ser feito à toa", recomenda.
Não se trata de dizer que a exposição à radiação eletromagnética sempre terá resultados negativos. "O efeito varia de acordo com a dosagem recebida e com o organismo. E pode variar de uma pessoa para outra", diz Soboll. Outro fator que influencia o efeito da radiação no organismo é a quantidade. "Mas varia de uma pessoa para outra, de uma condição para outra", diz Valdelice Teodoro, presidente do Conselho Nacional de Radiologia.
Segundo Valdelice, a falta de projeto físico-nuclear, de proteção radiológica e de manutenção preocupa muito. "Não são só os profissionais que são atingidos, mas todos que estão próximos", diz. "A pessoa vai levando radiação e o efeito é cumulativo. E, uma vez no organismo, não há como reparar", completa. (R.C.F.)





