Má conservação das vias irrita usuários de ônibus
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terça-feira, 15 de janeiro de 2013
Vítor Ogawa<br> Reportagem Local 
Passageiros de transporte coletivo reclamam das más condições das ruas de Londrina. Os buracos, fissuras, depressões e deformações no asfalto, além dos trechos sem pavimentação, compõem uma situação crônica e antiga em Londrina. Para os usuários de ônibus, o resultado é uma série de transtornos, como náuses, contraturas e até quedas. Usuários das linhas 110 (Mr. Thomas), 121 (Três Figueiras) 201 (Califórnia) e 428 (Vista Bela) estão entre os que mais reclamam da má conservação das vias.
Na linha 428, que liga o Terminal Ouro Verde ao Residencial Vista Bela, a maior queixa está relacionada aos buracos da Rua São José, localizada no Residencial Anaterra (Zona Norte). Existem tantos que fica impossível para os coletivos transitarem em linha reta. A vendedora Kessly Tamara Prestes, de 20 anos, moradora do Residencial Vista Bela, relatou que há um risco muito grande dos ônibus se chocarem com outros veículos devido ao ziguezague realizado pelo transporte coletivo na tentativa de fugir dos buracos. "O ônibus precisa entrar na contramão e muitas vezes motociclistas quase são atingidos", afirmou.
Na mesma linha os usuários reclamam do trecho sem asfalto na Rua São Benedito, entre os jardins Barcelona e Santo André. A cuidadora Aparecida de Jesus Maccagnan, de 57 anos, comparou a sensação de percorrer esse trecho com o movimento de frutas no liquidificador. "Para fazer uma vitamina, basta comer as frutas e depois beber leite, que bate tudo dentro do corpo", ironizou. Ela relatou que protestos já foram realizados, mas não surtiram nenhum resultado. Aparecida relembrou que na época da manifestação funcionários da prefeitura afirmaram que não havia previsão de asfaltamento daquele trecho. ``Para se segurar durante o trajeto fica até difícil. Os idosos são os que mais sofrem", observou.
A também cuidadora Andréa Alves de Oliveira relatou o sofrimento ao andar no coletivo pelas vias esburacadas do Anaterra na companhia de seu filho de 13 anos, que é cadeirante. "Com esses buracos eu tenho que prender bem a cadeira dele, mas o ônibus chacoalha tanto que meu filho pula e acaba se deslocando para a frente. Tenho que segurá-lo firme para ele não cair", afirmou.
A desempregada Karoline Modenute, de 23 anos, está gravida de oito meses e relatou que sente muitas dores quando o ônibus da linha 110 passa pelos vários buracos existentes no trajeto. ``Eu sinto muitas dores na parte de baixo e nas costas. É horrível´´, descreveu, afirmando que fica preocupada com a saúde de seu filho. "A gente não sabe se isso está fazendo mal ou não para a criança", relatou. Segundo ela, a situação piora durante os horários de pico, quando os motoristas correm para poder cumprir a tempo os horários estabelecidos.
A reportagem viu a queda de uma passageira idosa, que não conseguiu se segurar diante dos solavancos, e depois foi amparada pelos passageiros.
Desgaste físico
Os funcionários das empresas de transporte coletivo também sofrem com os buracos. A reportagem ouviu motoristas e cobradores de várias linhas. As reclamações mais constantes são de dores nas costas, aumento do estresse, desgaste físico, riscos de quebras mecânicas e o perigo provocado pela manobra de desvio dos buracos. Há motoristas e cobradores que são escalados para essas linhas e logo pedem a troca de linha para evitar esses problemas. "Eu tenho que tomar analgésicos para aliviar a dor muscular ao final do dia", revelou um deles.
Um motorista apontou que o desgaste dos pneus e do sistema de suspensão do veículo é maior. "Na Rua Brasil Filho (Cambezinho - zona leste) não tem mais asfalto. É só buraco. Isso atrasa a gente, pois é preciso passar em velocidade bem baixa", reclamou. Um colega dele revelou que precisa entrar em um terreno privado para poder desviar dos buracos. "Isso atrasa a gente, perdemos tempo no trecho", criticou.
A saída e entrada dos terminais de bairros também é criticada pelos motoristas. Eles informam que há buracos onde os ônibus passam e isso gera muitos transtornos e irritação ao longo do dia.


