Luz Vermelha é exemplo de desajuste social
PUBLICAÇÃO
domingo, 30 de novembro de 1997
Curitiba 
Ele foi o centro da cobertura jornalística, recebeu críticas e alguns questionáveis elogios por ter sido tratado como o herói-bandido quando saiu da prisão. Três meses depois, João Acácio Pereira da Costa, o Bandido da Luz Vermelha, tornou-se igual a qualquer anônimo ex-detento com problemas mentais. Recém-liberado do Centro Psiquiátrico Metropolitano, em Curitiba, onde chegou sedado e inconsciente depois de ter agredido familiares e amigos, João Acácio é apenas mais um que foi rejeitado pelos parentes, recusado pela sociedade e indesejado até mesmo nos hospitais psiquiátricos.
João Acácio chegou aqui muito agressivo, mas aos poucos se transformou em um paciente calmo e cooperativo, diz o diretor geral do Centro, José Roberto Gioppo. O médico explica a mudança com argumentos simples, que ultrapassam o poder dos remédios psiquiátricos: na clínica existem pessoas que sabem como tratá-lo e conviver com suas limitações.
Considerado o bandido que deixou a cidade com medo quando chegou a Joinville (SC), João Acácio volta para a cidade com o elogio de ter sido o melhor paciente que o Centro Psquiátrico Metropolitano jé teve nos últimos anos. Dos funcionários que o temiam e que resistiam à idéia de atendê-lo, o ex-detento acabou conquistando a amizade e o respeito.
Ele reage como qualquer um de nós reagiria: tratamos os outros da mesma forma como nos tratam, bem ou mal, diz o psiquiatra. Mesmo depois de ter ficado 30 anos na cadeia, parte deles passado em manicômios como a Casa de Custódia e Tratamento Taubaté, a reinserção social de João Acácio, segundo o médico, depende muito mais dos outros do que dele mesmo. É hora de questionarmos o nosso comportamento, e não o dele, diz.


