A perda de familiares ou pessoas próximas, independente da circunstância da morte, é um dos principais temas abordados nos 35 grupos de Terapia Comunitária mantidos pela rede pública municipal em Londrina. O trabalho é uma das poucas alternativas disponíveis gratuitamente para quem enfrenta problemas emocionais.
Segunda a coordenadora e supervisora de Terapia Comunitária, Maria das Graças Martini, a questão do luto já é a mais falada nos encontros realizados em uma sala do Centro Atendimento Psicossocial (Caps) 3. Assim como nos demais grupos espalhados por vários bairros da cidade, ali os participantes têm a chance de desabafar e trocar experiências com outros indíviduos que vivem situações similares.
''As pessoas chegam com culpa, mágoa, saudade, desespero. Muitas vezes se sentem abandonadas, sem saída. Na terapia, elas conhecem outras pessoas, falam de si mesmas, cantam, se abraçam. Com o apoio do grupo a pessoa se fortalece e ganha condições de voltar a atuar na sociedade'', explica a coordenadora. Ela ressalta que não se trata de atendimento psicológico, mas de trabalho desenvolvido por cidadãos com formação em terapia comunitária (360 horas de aula) e ''coração aberto para ouvir''.
Os encontros são semanais, com duração de uma hora e meia. Pessoas de todas as faixas etárias podem participar dos grupos, que variam de 10 a 60 pessoas cada. ''Não tem limite. Quanto mais gente participar, mais acolhedor fica e mais experiências se reúne'', convida Maria das Graças.
A coordenadora observa que a terapia ainda enfrenta preconceito, sendo frequentemente associada à loucura. ''Pelo contrário, é algo para todos. Dançar e fazer crochê, por exemplo, são formas de terapia'', cita. Entre 2004 e 2005, conforme dados do Município, o projeto prestou 25 mil atendimentos. Os casos diagnosticados como graves - psicoses, esquizofrenias, depressões profundas - são encaminhados para tratamento multidisciplinar nos Caps. (V.N.)

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