Luteranos comemoram data histórica
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quinta-feira, 30 de outubro de 1997
Cascavel 
Edson MazzettoIgreja Luterana, no Oeste do Paraná; em alguns municípios da região, o 31 de outubro é feriadoA Igreja Luterana e outras evangélicas celebram hoje o Dia da Reforma, que marca sua origem, na Alemanha. Em 31 de outubro de 1571, o então padre católico Martinho Lutero firmou um manifesto contra membros do clero que vendiam cartas de perdão a pecadores, as chamadas indulgências. Em todo o mundo, os luteranos são atualmente cerca de 70 milhões (no Brasil, 1,2 milhão), entre as linhas européia e americana.
No Oeste do Paraná, em alguns municípios hoje é feriado oficial pelo Dia da Reforma. É o caso de Marechal Cândido Rondon, Nova Santa Rosa e Mercedes, com populações de origem predominantemente alemã. Em Marechal Cândido Rondon, os luteranos são pelo menos 15 mil, entre os 37,6 mil habitantes. No Estado, outros locais de grande concentração de luteranos são Curitiba e Rolândia.
Em Cascavel, existem quatro templos e a comunidade é de 300 famílias. O pastor Rubens Schwalemberg, da Igreja Evangélica Luterana do Brasil (a IELB, originada de missões nos EUA), relata que pela primeira vez no Brasil haverá celebração do Dia da Reforma em conjunto com a Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil (a IECLB, européia). Além disso, as duas se propõem a ações sociais ou pastorais conjuntas.
Segundo Schwallemberg, isso não significa que haverá unificação das igrejas. A IECLB é conhecida pela atuação em movimentos sociais, enquanto a IELB tem evitado extrapolar questões religiosas.
Em Toledo, o pastor Edgard Ravache, da 5ª Região da IECLB, diz que Martinho Lutero valorizou o trabalho do cristão na sociedade, pois tanto o trabalho profissional como a busca de soluções para os problemas sociais agradam a Deus, pois servem ao próximo.
Segundo Ravache, a Reforma não pretendia a formação de uma nova Igreja, pois apenas buscava mudar práticas, mas a Igreja surgiu porque Lutero acabou excomungado pela Igreja Católica Romana.
Martinho Lutero determinou que as pregações (e traduções da Bíblia) passassem a ser na língua dos povos, e não mais em latim e defendeu o direito das comunidades admitirem ou demitirem os pregadores.
Além disso, eliminou a prática - comum aos católicos - de adoração e orações a santos e à mãe de Jesus Cristo por entender que não deveriam ser colocados na posição de intermediários entre nós e Deus.
Martinho Lutero casou e, por isso, sua Igreja não considera o celibato obrigatório para os pastores, além de aceitar mulheres como pastoras. Segundo Edgar Ravache, a Reforma teve influência social e cultural no mundo inteiro.


