Apesar das marcas pelo corpo - principalmente na cabeça, onde sofreu mais de 30 picadas de abelhas -, o único fato que o socorrista do Siate, o soldado Adonai Artur Ferreira, se lamenta é a morte da vítima. "Faria tudo outra vez", afirmou ele, sobre o atendimento que prestou a Aparecido Gouveia Terra, de 56 anos, que morreu no hospital horas depois de ser picado por mais de três mil abelhas, em uma viela entre as avenidas Winston Churchill e Brasília, na zona norte de Londrina, na semana passada. O trabalho e a bravura de Adonai e dos soldados alunos que o acompanhavam, Camargo e Bassi, chamou a atenção da população. O trio enfrentou o enxame e lutou para resgatar o homem.
"Quando chegamos à ocorrência o quadro era totalmente desesperador. Nunca tinha visto um enxame tão agressivo", relembrou Adonai. "A vítima estava praticamente inconsciente, apenas com algumas reações físicas", relatou. "Com o corpo totalmente coberto, quando ele virava as abelhas passavam a atacar as suas costas", detalhou.
O socorrista disse que no momento a equipe não tinha a roupa de proteção especial, por isso optaram em utilizar os dois únicos extintores de gás carbônico para espantar os insetos. "Não podíamos esperar ele morrer. Ainda conseguimos tirar bastante abelha do homem." O extintor, porém, acabou muito rápido e eles se viram novamente em apuros. A esta altura, todos já estavam com várias picadas pelo corpo.
Minutos depois, uma outra equipe dos bombeiros checou ao local. Com a vestimenta necessária, utilizaram jatos d’água para conseguir atender a vítima e colocá-la na viatura do Siate. O problema é que a ambulância também tomada pelos insetos. "Com aquela roupa, os bombeiros não conseguiriam dirigir. Eu tive que levar a ambulância por mais ou menos 400 metros até a Avenida Winston Churchill, onde esperava o médico do Samu", relembrou Adonai.
Questionado pela reportagem, Adonai disse que não se sente um herói. "É claro que faz bem para o ego alguém elogiando o trabalho, a coragem, mas sei que isso faz parte da nossa atividade e fiz o que achei necessário. Não penso muito. Vou e faço. Amo o meu trabalho e momentos assim acontecem mesmo", afirmou.

Retirada
Terra foi levado ao Hospital Universitário. No local da ocorrência, Adonai e sua equipe também foram atendidos devido às picadas. Os três ficaram em observação por cerca de uma hora, medicados e voltaram ao serviço. Para a frustração de todos, à noite, a vítima morreu. O fundo de vale onde estava a colmeia seria liberado ontem, no final da tarde. O professor de biologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), João Zequi, explicou que foram removidas todas as colmeias que habitavam o espaço.. O trabalho teve início na sexta-feira e terminou ontem. As colmeias foram levadas para o Parque Arthur Thomas e a secretaria do Ambiente iria decidir para onde elas seriam transferidas.

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