Londrina - Os presos na Colônia Penal Agroindustrial do Paraná (CPAI), em Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba), passarão a coletar, separar e consertar o lixo eletrônico gerado na RMC a partir de setembro. O trabalho será realizado por meio de uma parceria entre a Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Seju) e a ONG londrinense Associação de Recicladores de Lixo Eletroeletrônicos (E-Lixo), que iniciou o treinamento dos internos há 30 dias.
Segundo o diretor da E-Lixo, Alex Gonçalves, sete presos passam pelo treinamento e se o projeto crescer, a expectativa é de que sejam empregadas 15 pessoas no total. "Nós esperamos coletar 80 toneladas de lixo eletrônico na região de Curitiba", destacou o diretor, explicando que o governo estadual cederá um barracão para que os presos executem o trabalho.
Gonçalves explicou que o projeto possui objetivos social e ambiental, já que a iniciativa permitirá a remissão da pena, ou seja, a cada três dias de trabalho, o detento terá a pena reduzida em um dia. "Eu tive essa ideia de trabalhar com esses internos do sistema prisional há dois anos. Os presos terão uma profissão, pois quando ganharem a liberdade terão conhecimento em reciclagem de eletrônicos, além de montagem e reaproveitamento de computadores e poderão se tornar independentes", destacou o diretor da organização que existe desde 2008.
Gonçalves explicou que para a ONG a parceria é benéfica e que possibilitará a contratação de mão de obra a um custo menor do que o de mercado, embora não tenha dado detalhes. Entre os produtos recolhidos estão aparelhos de DVD, fax, som e controle de videogame, aquecedores, ar-condicionado, bateria de celular e celular, caixas de som, carregadores, centrais telefônicas e ferro de passar.
"Cerca de 85% do que recolhemos é reaproveitado como matéria-prima depois da separação dos materiais como vidros, plásticos, placas eletrônicas e cobre", ressaltou. Ele explicou que o trabalho realizado em Piraquara será semelhante ao que é executado pelos funcionários da ONG.

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Cerca de 60 toneladas de lixo eletrônico são recolhidas mensalmente pela organização na região de Londrina. "As pessoas trazem os equipamentos eletrônicos até o nosso barracão ou entram em contato para irmos buscar equipamentos eletrônicos", contou. Há 3 anos o responsável por ir nas residências para fazer a coleta é o motorista Fidel Gomes Pinheiro, de 47 anos. Ele relata que de tanto ver o material que carrega ganhar vida nova nas mãos dos técnicos, ficou interessado em fazer um curso de informática e de eletrônica. "Tenho aprendido um pouco sobre como mexer nos computadores; quero fazer um curso nessa área para melhorar meus rendimentos", destacou.
Já Alécio Mancini, que vivia da restauração de eletrônicos para revender, recebeu uma oferta de emprego na E-Lixo. Ele aceitou e hoje restaura os eletrônicos, mas com carteira assinada. "Tudo isso iria para os rios e lixões e hoje pode ganhar vida nova. Isso sem contar que esses eletrônicos possuem metais pesados que podem contaminar os lençóis freáticos", advertiu Mancini. Ele conta que em um ano avalia mais de 2 mil peças. "Quase tudo dá para vender", apontou.
É nas mãos do técnico em informática e eletrônica Flávio Anderson Zagato, que os equipamentos descartados são ressuscitados. Ele destacou que tudo começa pela formatação dos computadores, quando são apagados todos os dados e depois são reinstalados os sistemas operacionais. "Muitos problemas são simples de resolver. Às vezes eu só preciso trocar uma bateria da placa mãe para que o computador volte a funcionar", destacou Zagato, que antes de ingressar na ONG trabalhava como técnico de segurança eletrônica.

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