Lutando contra o racismo
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quarta-feira, 13 de maio de 2015
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Londrina Com o objetivo de dar visibilidade ao debate sobre o preconceito, o Levante Popular da Juventude (LPJ) promoveu ontem, na Escola Municipal Irene Vicentini Theodoro, no Jardim Califórnia (zona leste de Londrina), oficinas e atividades para discutir o racismo institucionalizado na sociedade. Outra meta é proporcionar um novo significado para o 13 de maio, Dia da Abolição, para retratá-lo como um dia de luta e não de comemoração.
Segundo Joyce Bueno da Silva, estudante de Direito da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e militante do LPJ, o 13 de maio não proporcionou liberdade completa aos negros do Brasil. "Nós contamos a história verdadeira para essas crianças e não o que conta a história oficial. O Dia da Abolição foi uma falsa emancipação, já que não houve política de assistência após a assinatura da lei (Áurea). Os reflexos disso nós colhemos até hoje", destacou.
Cerca de 60 alunos do 3º ano participaram das atividades. Foram realizadas oficinas de ritmos brasileiros tradicionais da cultura negra como o jongo e o coco de roda e oficinas de música, de turbante e de trança. Segundo a professora Karen Elizabeth Novaes Lara, a escola recebeu a proposta de trabalhar a diversidade em função do aumento dos conflitos nas escolas e para que haja mais tolerância e respeito entre os estudantes. "Muitas crianças transmitem o que sentem por meio de agressões físicas, mas queremos que elas transformem o que estão sentindo pela oralidade", ressaltou.
A aluna Rafaelle Almeida Ferreira, de 8 anos, por exemplo, relatou que já viu uma colega de uma antiga escola em que estudava ser racista com uma outra estudante de origem africana. "Essa menina ficava chamando a outra de feia só porque ela era negra. Eu fiquei triste e falei para a professora o que tinha acontecido. A professora explicou que as ofensas é que eram muito feias e que não eram para ser repetidas", relatou. Rafaelle declarou ainda que "as pessoas não devem julgar os outros pela cor da pele". "Todo mundo é igual", ressaltou.
Uma das palestrantes do evento foi a aluna de Engenharia Civil da UEL Edsandra Chaves. Nascida em Cabo Verde, na África, ela mora em Londrina desde 2013 e conta que, por ter nascido em um país onde os negros são absoluta maioria, nunca havia sido vítima de racismo. Porém, logo no primeiro dia em que chegou aqui, sofreu preconceito. "Como é que um país que possui 52% da população negra não possui essa mesma proporção na universidade? Hoje a UEL tem entre 5% e 10% dos estudantes negros. Na minha sala, só eu sou negra. Os jovens da periferia sequer sabem como ingressar na UEL. Quando conversamos com eles, explicamos sobre o vestibular e sobre as cotas raciais", relatou.
Outra militante do LPJ, Jéssyca Bueno, estudante do curso de Esporte da UEL, explicou que algumas das perguntas que as crianças fizeram refletem o racismo institucionalizado e que isso só se consegue combater acabando com os estereótipos, reformando o conhecimento delas com exemplos positivos sobre os negros e sua cultura.


