Londrina conta com uma Comissão Municipal Interinstitucional de Enfrentamento à Violência contra Crinças e Adolescentes. O grupo reúne profissionais de diversas áreas que trabalham no combate a todos os tipos de violência (sexual, física, psiclógica e negligência). De acordo com o coordenador da Comissão, médico pediatra Renato Mikio Moriya, este é um assunto multidisciplinar, que envolve áreas da saúde, assistência social, educação e outras.
Segundo ele, 85% dos abusos sexuais acontecem dentro de casa e o trabalho do grupo é orientar a população. ''Não é fácil lidar com isso. Chega uma hora que nos perguntamos até onde podemos interferir numa família, de que forma devemos fazer a abordagem. São vários questionamentos que nos fazemos o tempo todo'', disse. O médico afirmou que na grande maioria das vezes alguém da família, além do agressor, sabe da situação de violência, mas não se manifesta. ''Lutamos contra um pacto de silêncio que muitas famílias adotam'', destacou.
Moriya afirmou que o agressor geralmente é calculista e planeja com antecedência o ataque. ''Percebemos que eles procuram se relacionar com mulheres que têm filhos que despertam interesse, observam se a criança fica sozinha, se a mãe trabalha à noite. Já conquistam a mãe pensando na criança'', disse. Segundo estimativas da Organização Mundial de Saúde, 30% das mulheres foram vítimas de algum tipo de violência quando crianças. ''Isso está acontecendo em muitas casas, muito mais do que a gente imagina. É importante denunciar qualquer suspeita'', disse.
O artigo 245 do Estatuto da Criança e do Adolescente obriga que os profissionais notifiquem as autoridades responsáveis se desconfiarem que uma criança está sendo abusada. ''Ainda assim nem todo mundo notifica. Há medo e desconhecimento em torno deste assunto'', destacou o médico.
Segundo ele, a criança que sofre abuso geralmente tem algum indício comportamental que faz com que o profissional capacitado perceba a situação. O número de casos notificados está aumentando, de acordo com o pediatra, e é reflexo da sensibilização da comunidade e da capacitação de profissionais, que estão mais preparados para identificar os casos. ''A verdade é que mais casos estão chegando até nós e não que mais situações estejam ocorrendo'', afirmou.
Para combater os vários tipos de violência, a comissão está elaborando uma cartilha que deve ser distribuída para a comunidade e para os profissionais que atendem estas causas. (M.A.)
Serviço - Em caso de suspeita abuso de crianças, a denúncia pode ser feita à Delegacia da Mulher, pelo telefone 3322-1600, ou ao Conselho Tutelar 3378-0374

mockup