Combater a dengue é o principal desafio da enfermeira sanitária, Maria de Brito Losarzi, atual secretária de Saúde de Cambé. A servidora municipal trabalha no controle da doença desde 1990, quando o primeiro caso de dengue importado, proveniente de Rondônia, foi registrado na cidade. Nos últimos anos, a luta se tornou pessoal. Em 2015, ela teve o terceiro diagnóstico da doença confirmado e foi afastada dos serviços para tratamento, principalmente por causa de sequelas que podem ter sido provocadas após a infecção. Hoje, às 10h, o Governo do Estado realiza a campanha "Hora H: Todos Contra o Mosquito da Dengue" com objetivo de mobilizar a população para vistorias em quintais, residências e empresas em busca de criadouros do mosquito Aedes Aegypti, que também transmite zika vírus e chikungunya.
A secretária de Saúde iniciou o tratamento e exames devem confirmar a relação entre as alterações neurológicas e a dengue. "Além de uma fadiga intensa nos braços, a sensibilidade para temperaturas mudou e sinto frio mesmo em dias mais quentes", relatou. Apesar do afastamento do trabalho, no final do ano passado, Maria continua acompanhando o estado de alerta em Cambé, onde o índice de infestação é de 3%, acima do preconizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). "Nos Jardins Silvino e Ana Rosa, a situação é ainda mais preocupante. Neste momento, não tem como ficar longe do trabalho, principalmente pelo envolvimento no controle da dengue há mais de 25 anos. Quem trabalha com saúde, tem uma missão", afirmou.
Em casa, Maria monitora o mapeamento online do município com confirmações dos casos notificados divididos por bairros e áreas de atendimento das Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Além disso, ela permanece em contato com os demais servidores pelo celular e aplicativos. Mesmo com o histórico da doença, contraída uma vez em 2012 e duas vezes em 2015, ela revela que aguarda ansiosamente o retorno ao trabalho de campo, previsto para o próximo dia 15. "Vou passar repelente e colocar uma camiseta longa para sair pelas ruas. Esse trabalho corpo a corpo é muito importante para planejar com mais agilidade as ações de controle e para conscientizar a população", comentou.
Na última quinta-feira, a secretária de Saúde apresentou os números da dengue em uma reunião realizada por uma comissão municipal formada para capacitação de lideranças da comunidade. A intenção é aumentar o cuidado com o acúmulo de água em todas as regiões da cidade. Do início do ano até ontem, 26 casos de dengue foram confirmados em Cambé. "Queremos dar subsídio para que as pessoas eliminem os criadouros do mosquito. Cerca de 90% das larvas do Aedes Aegypti estão em recipientes com água. Com apoio das lideranças comunitárias, vamos realizar uma grande ação de limpeza dos criadouros no dia 27", adiantou Maria.
Ela alertou para a necessidade do diagnóstico rápido para tratamento eficaz da dengue. "Se a pessoa sentir os sintomas da doença deve procurar imediatamente um médico. Como eu trabalho na área da saúde e já tive dengue procurei os exames e o diagnóstico foi precoce. Isso foi fundamental para evitar a evolução do quadro para uma dengue hemorrágica", explicou. Na avaliação da secretária, a doença também tem um grande impacto financeiro no orçamento familiar e nos cofres públicos. "Em decorrência das sequelas, a pessoa pode gastar mais dinheiro com exames e tratamento. Já o município, pode até comprometer outras áreas por causa da necessidade de investimentos para combater a dengue, principalmente, durante uma epidemia. Em Cambé, o gasto anual é de pelo menos R$ 2 milhões", disse.

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