Depois de engravidar ao 17 anos de idade, Paola Maz Ortiz, descobriu que o bebê que esperava tinha um tumor na coluna. Para piorar a situação, os médicos diziam que Erick não viveria muito e, caso sobrevivesse, não teria um vida normal. Sem perder a esperança, viu-o ganhando peso e tendo melhora no quadro, tanto que com três meses passou por uma cirurgia para retirada do tumor e tudo deu certo.
Mas isso era apenas o começo da história. Sem poder andar, o menino ainda tinha problemas na bexiga e teve de extrair um rim. ''Nessa época, ele usava fraldas de pano, porque não tinha dinheiro para comprar descartável. Lavava tudo na mão, pois não tinha máquina'', conta. Paola se casara novamente e teria mais um filho, dessa vez uma menina e mais uma surpresa. ''Ela teve uma paralisia cerebral leve, mas que só ficamos sabendo conforme o tempo ia passando.''
Menos de um ano, descobriu mais uma vez que estava grávida. ''Fiquei desesperada, quis até tomar veneno'', conta Paola. Os anos passaram e as dificuldades não diminuiam. Foi uma época de muito sofrimento. Pensei várias vezes em largar tudo, em me matar'', revela. Não bastasse o que estava passando, nesse meio tempo, se separou do marido, a mãe morreu, o pai parou de conversar com ela e a guarda da filha retirada. ''Me vi sozinha, sem ajuda, sem dinheiro. Mas como tudo na vida tem um propósito, conheci as pessoas certas e comecei a ver que tinha uma saída'', comenta.
Com o atendimento que recebeu na AACD, em São Paulo, aprendeu a lidar com as necessidades do seu filho, além de ficar sabendo sobre vários direitos dos deficientes físicos.''Foi quando por curiosidade fui a uma reunião do Conselho Municipal de Direitos das Pessoas com Deficiência.'' Engajada na causa, começou a ajudar outras pessoas na mesma situação que o filho cadeirante. Desde então, a situação foi tomando uma proporção muito maior do que imaginava.
Uma das primeiras conquistas foi o pedido atendido de ônibus adaptados. ''Até então, eu não tinha conhecimento de nada. Para entrar no ônibus, pegava meu filho no colo. Foram anos para descobrir que ele tinha direitos.'' Isso foi determinante para começar a agir e mudar a realidade de outras pessoas. ''Ajudava quem tinha sofrido lesão medular e, por isso, estava na cadeira de rodas. Levava para minha casa, e todo o conhecimento que tinha adquirido nos cursos, passava a eles. Tudo para que aprendessem a se 'virar' sozinhos.'' Nascia então, o Centro de Vida Independente.
Além de acolher as pessoas, ela também foi atrás de convênios para que os cadeirantes voltassem a estudar. ''As pessoas não têm ideia das dificuldades que eles enfrentam, uma delas é frequentar a escola. Com esse convênio, vários deficientes físicos estão tendo a oportunidade de concluir os estudos. Alguns já estão trabalhando como aprendizes'', diz. Mas o trabalho não se limita a isso. Aqueles que não conseguem ir sozinhos, ela ajuda a levar e buscar, tudo de ônibus. ''Faço tudo por eles, como se fossem meus filhos.''
Longe de realizar o que deseja, Paola conta que sonha com um centro de reabilitação adequado. ''Minha luta é para eles tenham uma vida normal e saudável como todos nós. Não quero que sofram mais; existem muitas leis que os ampara e quero que elas sejam cumpridas'', finaliza. (M.T.)

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