A luta pela reforma agrária e o sonho de alfabetizar jovens e adultos nos acampamentos e assentamentos do Paraná foram as bandeiras defendidas por Ireno Alves dos Santos, o ‘‘Ireno dos sem-terra’’. Ireno era filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT) e foi candidato a vice-prefeito nas últimas eleições em Cantagalo.
Filho de agricultores, Ireno nasceu em Capitão Leônidas Marques (78 quilômetros ao sul de Cascavel), onde começou cedo a lidar com a terra e ao mesmo tempo, a se sensibilizar com os problemas sociais enfrentados no campo.
Ele cursou apenas o primário e teve que interromper os estudos para ajudar a família. Os que conviveram com Ireno, sabiam que sua grande mágoa era não ter conseguido fazer um curso superior.
Inconformado com a falta de uma política agrícola que permitisse aos filhos dos pequenos produtores rurais acesso aos estudos, ele começou sua luta muito jovem no sudoeste do Estado. Aos 15 anos, iniciou sua atuação na Pastoral da Juventude em Francisco Beltrão, onde fez parte do Master, Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra.
Há 11 anos, o MST começou a intensificar sua atuação no Paraná, incorporando pequenos movimentos em defesa da reforma agrária, como o Master. Companheiros de Ireno dizem que ele aparentava ter mais que 34 anos. ‘‘Ele envelheceu prematuramente, sofrendo a dor dos companheiros, defendendo suas causas, lutando e sonhando com eles’’, diz Mário Shons, da Cooperativa dos Agricultores Sem-Terra (Coagri), unidade de Cantagalo.
‘‘Éramos adversários políticos, mas éramos também grandes amigos. Ireno se tornou respeitado pelo seu trabalho pelos sem-terra e pelo desenvolvimento que trouxe para o nosso município. Ele cumpriu seu dever com envergadura’’, disse o prefeito de Cantagalo, Matheus Paulino da Rocha (PDT).
Em reportagem publicada na Folha em junho, Ireno declarava que ‘‘Cantagalo era a prova que o Brasil precisava para aceitar que reforma agrária dá certo’’.
Ireno também foi um dos líderes da ocupação em Rio Bonito do Iguaçu, em maio deste ano, considerada a maior do Brasil e uma das maiores invasões da América Latina. Mais de 3 mil famílias, aproximadamente 13 mil pessoas, invadiram a fazenda da Madeireira Giacomet e Marodin.
‘‘Ele estava na organização, nas negociacões, nas reuniões, mas também estava lá na hora que a gente descia do caminhão, com o facão na mão, ajudando a armar os primeiros barracos’’, conta Lúcio de Oliveira, do assentamento Vagner. Ireno era casado e deixa dois filhos.

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