Luta foi contra preconceito
PUBLICAÇÃO
domingo, 22 de junho de 2003
Chiara Papali<br>Reportagem Local 
A adaptação aos costumes e à língua do Brasil não foram as únicas dificuldades enfrentadas por imigrantes japoneses. Há 95 anos, quando chegaram ao Brasil os primeiros japoneses, a principal barreira já havia sido vencida a do preconceito. É o que constata uma pesquisa da professora aposentada Estela Okabayaski Fuzii, da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Durante três anos, ela pesquisou os fatos que antecederam a imigração japonesa no Brasil, simultaneamente com outros estudos sobre a cultura oriental. O resultado da pesquisa, que revela ainda a vinda de japoneses por acaso antes mesmo da imigração, poderá virar um livro.
A vinda dos japoneses ao Brasil, segundo a professora, foi precedida por um intenso debate no Congresso Nacional. Discursos calorosos de políticos mostravam restrição à vinda da mão-de-obra asiática: se a escória da Europa não nos convêm, menos nos convirá a da China e do Japão, discursou um senador, por volta de 1890. Segundo a pesquisa, havia uma grande rejeição à vinda de asiáticos e, tanto no Império, quanto depois, na República, não houve unanimidade sobre a conveniência da imigração.
Um decreto de 1890, que determinava a abertura das portas do Brasil para todas as pessoas capazes ao trabalho de nações amigas deixa claro a restrição a indígenas, africanos e asiáticos.
O motivo exato não é conhecido, segundo a pesquisadora. Em 1819, chineses vieram ao Rio de Janeiro para trabalhar com cultivo de chá. A história não conta o que ocorreu, só se sabe que a experiência não teve sucesso, e por isso a entrada de asiáticos, os japoneses por extensão, ficou restrita, explicou.
Em novembro de 1895 foi assinado o tratado de amizade Brasil-Japão, mas só 13 anos depois, após negociações diplomáticas dos dois países, chegou o primeiro navio japonês ao porto de Santos, em 18 de junho de 1908. Os japoneses continuaram vindo ao Brasil até o início da 2ª Guerra, em 1939. Foram 260 mil imigrantes, em várias levas. Curiosamente o mesmo número de dekasseguis (brasileiros descendentes de japoneses) que nos últimos anos foram buscar trabalho no Japão.


