Luta de mãe por justiça já dura 4 anos
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segunda-feira, 24 de julho de 2000
Érika Pelegrino De Londrina 
O maior sonho da funcionária pública estadual Nadir de Medeiros Pereira, 40 anos, é o fim da impunidade no Brasil. Há quatro anos ela luta para ver os assassinos de seu filho julgados e condenados. Assassinos confessos de Cristian César Moretto, então com 19 anos, os irmãos Joel e Rubens Mendes de Queiroz nunca foram presos.
O pesadelo de Nadir Pereira começou na noite de 12 de julho de 1996, quando Cristian, depois de passar horas estudando resolveu sair com um amigo para relaxar um pouco. Às 23 horas, duas horas depois que seu filho saiu, Nadir recebeu o telefonema que trouxe a notícia: o rapaz havia sido baleado em uma lanchonete na Vila Siam, zona leste de Londrina.
Antes de entrar em coma, ele mesmo contou para a mãe o que havia acontecido. Ao chegar na lanchonete ele cumprimentou uma amiga que tinha conhecido dias antes. A jovem estava acompanhada dos irmãos Joel e Rubens, que consideraram o cumprimento como sendo uma cantada. Luciana da Silva era companheira de Rubens, que a assassinou meses depois do episódio na lanchonete da Vila Siam.
Cristian não quis arranjar confusão e deu as costas para sair, quando os irmãos sacaram suas armas (cada um estava com um revólver) e começaram a atirar. Cristian foi atingido nas nádegas. Os tiros atingiram também Charles Roger da Silva, 26 anos, e Edenildo Rodrigues da Silva, 22 anos. Os irmãos Joel e Rubens fugiram na sequência.
O projétil que atingiu Cristian perfurou o intestino grosso do rapaz provocando infecção generalizada, crise renal aguda, convulsões e coma. Depois de nove meses e cinco dias, no dia 17 de abril de 1997, Cristian morreu. Foram cinco meses de hospital, sendo três na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e quatro meses e cinco dias em estado vegetativo em casa.
Durante este período, os sentimentos de Nadir, seu marido e seu filho mais novo eram de revolta e angústia, mas concentravam suas energias nos cuidados com Cristian e na sua recuperação. Com a morte do filho, Nadir passou a se dedicar totalmente à punição dos assassinos.
Foi quando ela se deparou com as dificuldades e morosidade da polícia. Uma semana depois de ter sepultado Cristian, Nadir foi até ao 2º Distrito Policial (DP) para saber como estavam as investigações e ficou surpresa ao saber que o inquérito policial ainda nem tinha sido aberto. Já tinham se passado nove meses e 12 dias desde o tiroteio na lanchonete da Vila Siam.
A partir daquele momento começou uma luta incansável da família Moretto por justiça. O descaso da polícia levou a funcionária pública à imprensa e a realizar manifestações no Calçadão com o objetivo de sensibilizar as autoridades.
A via crucis de Nadir pelo fim da impunidade passou por gabinetes de delegados, promotores, juízes; cartas para secretários estaduais e ministro da Justiça. Nadir brigou pelo inquérito policial, pelo processo e ainda luta pelo julgamento dos assassinos.
O inquérito que apurou o caso foi marcado por vários problemas que atrapalharam as investigações. Primeiro foi a troca de delegados no 2º DP, depois o sumiço por 19 dias dos autos do processo. Para prejudicar ainda mais o andamento das investigações, o Instituto Médico-Legal (IML) só entregou os laudos quatro meses depois do crime, conforme já divulgado pela Folha.
O inquérito policial só foi concluído e encaminhado para o Fórum um ano depois do tiroteio. Este procedimento tem um prazo de 30 dias, podendo ser prorrogado. Há três anos Nadir Pereira luta pelo julgamento de Joel e Rubens. No Fórum ninguém forneceu informações sobre como está o processo. A alegação para a Folha na 5ª Vara Criminal foi de que devido as férias forenses não há promotor nem juíz para falar sobre o caso.
Um dos irmãos que atirou contra Cristian e seus amigos, Rubens Mendes de Queiroz, teve sua prisão preventiva decretada após matar a companheira, Luciana da Silva, em junho de 1997. Ele está foragido.
Os sentimentos de Nadir hoje são de mágoa e decepção com a Justiça. O que vejo é que as pessoas que são pagas para fazer este trabalho não estão compromissadas com a Justiça. Impunidade para estas pessoas é uma coisa normal, afirma. Nadir ainda acompanha o processo de perto e afirma que não irá sossegar enquanto não ver os criminosos pagando pelo que fizeram. Apesar de este ser um país cheio de injustiças eu ainda sonho com o fim da impunidade. E vou ver este sonho se tornar realidade, afirma.


